depois de em julho deste ano o ministério da cultura e o primeiro-ministro terem reunido com a plataforma das artes, ficou decidida a anulação do corte de 10% nos pagamentos feitos pelo instituto do cinema e audiovisual (ica), assim como a reposição das verbas capturadas nos pagamentos que foram entretanto efectuados. os representantes da sétima arte congratularam-se com esta decisão, mas vêm agora acusar o governo de lhes ter mentido.
diz a plataforma das artes que «nenhum decreto-lei foi entretanto aprovado» para corrigir a situação anterior, o que «poderá obrigar o ica a ter que aplicar essa redução de 10%». também a «descativação parcial das receitas próprias do ica não ocorreu».
face a este cenário, o ica ficará à beira da bancarrota e poderá deixar de cumprir os compromissos com o sector no último trimestre de 2010. inúmeros projectos que estão já na sua recta final poderão assim ficar por concluir.
a plataforma das artes garante que o governo aconselhou que estes projectos fossem iniciados e acusa agora a tutela de faltar à verdade: «tudo isto teria sido menos cruel se no tempo próprio nos tivessem dito a verdade, em lugar de insistentemente nos darem a ilusão de que tudo se haveria de resolver e, para cúmulo, convocar a imprensa para isso anunciarem».
os representantes do cinema assistiram também com «estupefacção» ao anúncio do ministério das finanças do aumento de 20% do orçamento do ica para 2011. «é grosseira, cínica e mentirosa essa notícia, quando precisamente 20% das receitas próprias do ica inscritas no seu orçamento de 2010 estão cativas nos cofres do tesouro», lê-se no comunicado da plataforma.
da plataforma das artes fazem parte realizadores como manoel de oliveira, pedro costa, joão canijo e joão botelho, entre outros, e várias produtoras.
