Futebol enrolado nas redes

Acrílicos gigantes, vedações com arame farpado, redes intermináveis. Para conter a fúria dos adeptos mais agressivos – por vezes os da própria equipa –, os clubes de futebol utilizam soluções para todos os gostos. Na Europa e não só.

na recepção de sábado passado ao sporting, o benfica estreou-se em portugal na adopção deste tipo de medidas previstas na lei. optou por uma rede lateral e frontal que, com a ‘ajuda’ da cobertura do estádio, deixou os adeptos leoninos ‘fechados’ naquilo a que se chamou de caixa de segurança. a reacção, violenta, é conhecida – cadeiras a arder, bancadas danificadas e guerra verbal entre dirigentes dos dois clubes.

no futebol mundial não existem muitas estruturas iguais à escolhida para o estádio da luz e aprovada pelas autoridades, mas abundam tentativas tão ou mais engenhosas de minimizar possíveis focos de violência nas bancadas.

em itália, onde são famosos os conflitos entre adeptos, há vários estádios que preferem prevenir a remediar. o de san siro, que ac milan e inter de milão partilham, é todo coberto e tem instalada uma rede frontal amovível no último anel das bancadas atrás das balizas. é aí que se sentam os adeptos visitantes, criando um efeito de caixa idêntico ao que se viu sábado na luz.

o mesmo acontece no san paolo, do nápoles, enquanto no artemio franchi, da fiorentina, a zona reservada aos adeptos rivais parece uma fortaleza, com a nuance de estar a céu aberto por o recinto não ter cobertura: à frente erguem-se acrílicos monstruosos e nas laterais vedações da mesma altura.

quando o jogo é de alto risco, como a recepção da época passada ao barcelona para a liga dos campeões, o real madrid também faz subir uma rede frontal na bancada do santiado bernabéu destinada à afición contrária, num dos topos atrás da baliza. mas não é essa a prática corrente. em janeiro, por exemplo, os adeptos do atlético de madrid, o outro clube rival, viram o jogo sem quadradinhos à frente.

isolar os próprios adeptos

já em nou camp as redes tiveram a sua última aparição a 29 de outubro. a direcção decidiu retirar as que tinham sido colocadas atrás das balizas após o clássico com o real madrid de 2002, em que adeptos do barcelona lançaram todo o tipo de objectos a luís figo, incluindo uma cabeça de leitão. «as estruturas fixas das redes limitavam muito a visibilidade do terreno de jogo», justificou o ‘vice’ blaugrana jordi cardoner.

quanto às redes para os visitantes, já haviam sido abolidas há mais tempo, assegurou ao sol sergi rodríguez, jornalista do catalão mundo deportivo.

outro grande europeu, o bayern munique, instalou redes no allianz arena atrás de uma baliza para precaver o arremesso de objectos pelos seus simpatizantes, enquanto os franceses paris saint-germain e marselha preferem isolar os adeptos adversários. o psg ‘envolve-os’ numa rede aberta à frente, no primeiro anel do parque dos príncipes; o marselha utiliza apenas redes laterais gigantes.

do outro lado do atlântico, na argentina, já com mais de 250 mortes em estádios de futebol, a regra são as vedações com arame farpado à volta do campo. só o racing e o independiente, de avellaneda, usam redes, o primeiro ao estilo do benfica (unidas à cobertura) e o segundo a céu aberto. na bombonera, casa do boca juniores, há apenas um acrílico que se eleva atrás das balizas.

depois de portugal adoptar medidas mais drásticas, a inglaterra fica mais só entre os países que dispensam redes e vedações para erradicar a violência dos estádios de futebol.

rui.antunes@sol.pt