fonte ligada ao processo explicou à agência lusa que, na sessão
fechada ao público por despacho da juíza a seu pedido, mara pires
reafirmou as suas declarações prestadas, aquando do interrogatório da
polícia judiciária.
a testemunha referiu que se deslocou com o
arguido e ivo delgado a um local isolado repleto de árvores na zona da
foz do arelho, caldas da rainha.
nesse local, contou a testemunha,
francisco leitão estava encarnado por uma entidade espiritual a quem
chamada “velho”, que a obrigava a “fazer coisas que ela não queria”, ao
amedrontá-la de que teria de cumprir ordens para que a alma do seu pai
(falecido em 2004) “em desassossego” pudesse ficar em paz.
após
uma discussão entre ivo delgado e o arguido sob o disfarce do “velho”, a
quem aquele não queria obedecer, o arguido terá agarrado “numa barra de
ferro” da parte da frente do veículo ‘mitsubishi space star’,
desferindo-a na cabeça de ivo.
de seguida, meteu a vítima no banco
de trás do carro, ligando-o e seguindo em direcção a caldas da rainha
pela estrada do vau (óbidos), seguidos por mara pires, que seguia atrás
com o seu carro.
em vez de cortarem a caminho do hospital, para
onde mara pires pensava que iam, o arguido conduziu-os até uma cabana
localizada numa zona junto ao cemitério de nossa senhora do pópulo, na
cidade de caldas da rainha, onde a testemunha “ainda viu sangue” na
vítima, mas já não a ouviu a respirar.
chegados ao local, os três
eram esperados por ‘joão da rolote’, que se afastou com a testemunha no
sentido de se “ir embora”, tendo regressado ao local, alegadamente para
ambos enterrarem o corpo, acontecimento a que mara pires já não
assistiu.
ao apontar onde estaria enterrado o corpo de ivo delgado
durante o primeiro interrogatório, mara pires chegou a conduzir os inspectores da pj ao sítio, sem que contudo tenha sido descoberto o
cadáver da vítima, apesar das escavações efectuadas.
o julgamento
do designado rei ghob, acusado de quatro crimes de homicídio e outros
quatro de ocultação de cadáver, pela morte do idoso ‘pisa lagartos’ (10
de novembro de 1995), de tânia ramos (5 de junho de 2008), de ivo
delgado (26 de junho de 2008) e de joana correia (3 de março de 2010),
prossegue na segunda-feira.
lusa / sol
