os fundos de solidariedade criados pelas dioceses de braga, viseu e algarve, para ajudar famílias carenciadas, já recolheram cerca de 225 mil euros. mas nem todos os padres conseguiram responder aos apelos do prelado e doarem parte dos seus rendimentos.
«não contribuí porque não tenho rendimentos. estou com uma reforma de 300 euros, um valor igual àquele que pagava à empregada que tinha», justifica um padre de viseu, antónio ferreira, de 78 anos. contactado pelo sol, um outro padre do distrito, que preferiu manter o anonimato, mostrou pouca simpatia pela ideia de doação de parte do subsídio de natal – um apelo feito por d. ilídio leandro, no ano passado: «veja se um padre consegue ter uma vida digna com 650 euros! cada um deve contribuir, se puder. o estado que chame todos os ladrões e que os obrigue a restituir o que devem».
este padre, de 74 anos, explica que até mesmo para os sacerdotes está a ser «complicado gerir o ordenado» e adianta ter «muitos colegas a passar dificuldades». o padre antónio, também da diocese de viseu, é um desses casos. «vivo em situação de carência. a igreja nem reforma me dá, vivo do apoio do estado», refere, sem querer alongar-se na conversa.
mas ainda houve padres que conseguiram fazer doações generosas. o sol falou com um que ofereceu 150 euros e com outro que deu 300 euros para o fundo de solidariedade diocesano. o bispo de viseu considera que a resposta ao apelo foi «positiva» e indica que dos 139 sacerdotes diocesanos «contribuíram os que puderam». o total das doações, disse ao sol, rondou os 12 mil euros.
mais expressivas foram as doações para o fundo ‘partilhar com esperança’, da diocese de braga. aí, o valor chegou aos 163 mil euros. «em dezembro de 2010, a adesão foi bastante razoável; o valor atingiu os 95 mil euros e, ao longo de 2011, o valor subiu para os 163 mil», revela ao sol o cónego roberto mariz. o responsável pela pastoral social e da mobilidade observa que, em braga, «a maior parte do clero não passará dificuldades», mas admite que «outros estarão em situação menos favorável».
apelo mantém-se
o primeiro apelo de doação foi feito por d. jorge ortiga, em novembro de 2010. o arcebispo de braga exortou então os cerca de 400 sacerdotes para que doassem um ordenado, com o objectivo de ajudar famílias carenciadas. «é um pedido que se mantém em aberto, enquanto a crise económica persistir», aponta ao sol d. jorge ortiga.
também no natal de 2010, o bispo do algarve, d. manuel quintas, anunciou que os sacerdotes iriam ceder um ordenado para o fundo diocesano social. segundo o padre miguel neto, director do gabinete de informação daquela diocese, «a larga maioria dos (65) sacerdotes» aderiu ao apelo. miguel neto refere que as dádivas foram inseridas nas renúncias quaresmais de 2011, que no total chegaram aos 50 mil euros.
*com joana ferreira da costa
