os pontos de contacto entre a acção da peça – situada em plena primavera marcelista – e a actualidade são uma das pistas para interpretar a peça encenada por nuno carinhas e adaptada por luísa costa gomes, que se estreou ontem e estará em cena até 23 de dezembro, no teatro são joão (tnsj), no porto. «reconhecemos estas personagens, estas pessoas, e falamos do que é nosso, do que é português. temos raízes, aqui retratadas de forma muito clara e profunda. é nossa intenção revisitar um portugal que parece longínquo, mas quanto mais tempo passa mais reconhecemos que está próximo», precisa o encenador.
casas pardas (que estará no teatro são luiz, em lisboa, de 24 a 27 de janeiro) tem como protagonistas três mulheres: as irmãs mary e elisa e a jovem rural elvira, «que inaugura uma nova maneira de estar e a visão de um portugal novo».
num romance divido por quatro casas e narrado a várias vozes, a solução encontrada por luísa costa gomes assenta em vários quadros. «é sempre um susto, porque estamos perante algo nunca feito, mas desafiamos novas linguagens», explica nuno carinhas, que já tinha passado pela mesma experiência em exactamente antunes, adaptado a partir de nome de guerra, de almada negreiros.
o encenador e director artístico do tnsj trabalhou pela primeira vez com quatro actrizes: carmen santos, catarina lacerda, rute miranda e anabela teixeira, no papel de mary. trata-se do regresso da actriz aos palcos, dois anos depois de antes do pequeno-almoço e hughie, na companhia de teatro de almada. anabela teixeira participou no casting de alma, de gil vicente, que esteve em cena no tnsj em abril, mas a colaboração apenas se consumou agora. «sou fã do nuno carinhas há muitos anos e tinha imensa vontade de trabalhar com a emília silvestre, o paulo freixinho… nunca me afasto do teatro e todos os anos estudo em madrid, numa escola em que o javier bardem foi meu colega. trabalhamos intensamente shakespeare, ibsen e tchekhov», recorda.
