«se fizermos um grande festival este ano a continuidade pode ser mais fácil, dado que vai existir uma mudança política. qualquer um dos candidatos à câmara do porto é aberto à cultura e, se tudo correr bem, ninguém vai deixar cair o ‘fantas’», sublinha o também vereador da cultura da câmara de gaia, presidida por luís filipe menezes, candidato do psd à autarquia portuense, em outubro. mas, para dorminsky, a sensibilidade para com a cultura será a mesma caso vençam o socialista manuel pizarro ou o independente rui moreira.
as dificuldades financeiras levaram à retracção dos patrocinadores, com o orçamento a ser inferior ao de há cinco anos: dois milhões de euros, sendo que 1,7 correspondem a serviços oferecidos ao festival. porém, dorminsky recusa uma ideia de «miserabilismo» e frisa que a programação inclui vários «updates»: o regresso da secção orient express (destinada ao cinema asiático), um ciclo dedicado às estrelas do cinema francês, uma homenagem aos 70 anos de aniki bóbó, de manoel de oliveira, e a inclusão de um filme-concerto. trata-se da animação o planeta selvagem, de rené laloux, que conta com acompanhamento musical dos beautify junkyards e funcionou como pré-abertura do fantasporto na segunda-feira.
a abertura oficial decorre hoje, com mamã, um filme de terror realizado por andrés muschietti e produzido por guillermo del toro, que liderou o box-office norte-americano em janeiro. na semana dos realizadores, um dos concorrentes é pietà, de kim ki-duk, leão de ouro em veneza.
«grandes estrelas não há, mas no fantas as estrelas sempre foram os filmes e a descoberta de novos cineastas», argumenta o director do fantas, que assegura ainda que «80 por cento» dos realizadores a concurso estarão presentes, o que representa um recorde «quase absoluto». para superar o esperado défice financeiro, as receitas de bilheteira são «mais importantes do que nunca»; porém, a longo prazo, a sustentabilidade só seria adquirida com a concretização do projecto da fundação fantasporto. «sem o estado e a câmara do porto como accionistas principais não vale a pena. outros fazem fundações com tudo à borla, nós temos património valioso e não conseguimos», lamenta.
