confirmando a acusação do ministério público (mp), a inspectora da
polícia judiciária cristina tenente ramos disse que “o preço real dos
terrenos não foi pago” pelo fundo homeland, constituído pelo antigo
deputado duarte lima, pelo sócio, vítor raposo, e pelo filho, pedro
lima, ambos arguidos também neste processo.
inquirida pelo
procurador da república, josé niza, a inspectora titular da investigação
do caso homeland sublinhou que “foi pago menos que o valor real dos
terrenos”, conclusão a que chegou “nas várias fases do processo, após a
análise de documentos, bem como de buscas, declarações produzidas,
repartição de valores e fluxos financeiros”.
à saída do tribunal,
após a segunda audiência do julgamento, raul soares da veiga, advogado
de duarte lima, refutou a existência de “empolamento” no preço dos
terrenos, prometendo esclarecimento da situação em sede de tribunal.
a inspectora da pj, testemunha arrolada pelo mp, referiu ainda que “há uma
participação formal em todo o processo de pedro lima”, contrariando a
breve afirmação de duarte lima na primeira sessão de julgamento, a 28 de
maio, que a intervenção do seu filho nos negócios foi meramente
“nominal” e que ele sempre seguiu as suas “instruções”.
numa
sessão dominada pela inquirição do procurador da república à inspectora,
cristina tenente ramos aludiu ainda que duarte lima, deputado eleito
pelo psd de 1983 a 1995, de 1999 a 2002 e de 2005 a 2009, “não declarou
participações sociais em empresas no registo de interesses e nas
declarações de rendimentos para o tribunal constitucional”.
a próxima sessão do julgamento, novamente com a inquirição à inspectora da pj, está marcada para 01 de julho.
este
julgamento está relacionado com a aquisição através da homeland de
terrenos em oeiras, nas imediações da projectada sede do instituto
português de oncologia (ipo).
a homeland foi constituída com a
participação de 1,5 milhões de euros do bpn, de 4,2 milhões de euros de
vítor raposo (então sócio de duarte lima) e igual capital do arguido
pedro lima (filho do ex-líder parlamentar do psd), que aguarda
julgamento em liberdade depois de pagar caução de 500 mil euros.
duarte
lima é suspeito de beneficiar de vários créditos no valor de mais de 40
milhões de euros, obtidos com garantias bancárias de baixo valor, que
permitiram adquirir terrenos no concelho de oeiras, nas imediações da projectada sede do instituto português de oncologia (ipo).
o projecto da sede do ipo no concelho de oeiras não avançou e o crédito pedido ao bpn ficou por liquidar.
além
de duarte lima, pedro lima, vítor raposo e francisco canas, são também
arguidos os advogados joão almeida e paiva e miguel almeida e paiva.
lusa / sol
