Estaleiros: Administração garante que Atlântida ‘está funcional’

A administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) garantiu hoje à Lusa que o Atlântida “está funcional” e que o navio foi “verificado periodicamente”, nos últimos três anos por uma equipa técnica da empresa pública.

Estaleiros: Administração garante que Atlântida ‘está funcional’

"O dono do navio [ENVC] não foi desleixado ao ponto de deixar cair as coisas. É evidente que não estava como ele [Mário Ferreira] desejaria, o último grito, mas estava limpo, asseado e funcional", disse Jorge Camões, presidente do conselho de administração dos ENVC.

A posição do responsável surgiu na sequência das críticas proferidas hoje à Lusa pelo presidente da Douro Azul devido à "completa falta de manutenção" a que esteve sujeito o navio nos últimos três anos.

Desde 2011 que o Atlântida estava atracado na base naval do Alfeira à espera de comprador depois de ter sido construído nos ENVC, por encomenda do Governo dos Açores, e rejeitado em 2009 devido a um nó de diferença na velocidade máxima contratada.

Na resposta, Jorge Camões afirmou que o navio "foi verificado periodicamente, cerca de duas vezes por mês, por uma equipa técnica dos ENVC que se deslocava a Almada, propositadamente para o efeito.

"Não rodaram as máquinas, não ligaram os hélices porque ele estava acostado, não mergulharam e não viram as ostras mas fizeram revisão, lubrificação e limpeza", adiantou.

Jorge Camões afirmou ter dado estas explicações a Mário Ferreira, terça-feira, no ato de entrega do navio.
Trabalhos que, segundo Jorge Camões, eram necessários uma vez que ao longo deste período "o navio foi visitado por toda a gente, desde deputados, políticos e potenciais concorrentes".

"Nunca poderíamos ter o navio sujo nem em más condições. Agora é evidente que um navio que está parado ganha ostras, como qualquer navio mas não estava danificado", disse.

Realçou ainda que as regras do concurso público internacional lançado pela administração dos ENVC em Março passado eram claras.

"O navio foi vendido como está e até podia estar virado de pernas para o ar. E tanto é assim que no caderno encargos diz que é como está e onde está. Quem quis concorrer visitou o navio e sabe como estava", explicou.

Jorge Camões adiantou também que os 500 mil euros por ano despendidos com o navio dizem respeito a "gastos nas taxas aduaneiras, deslocações dos técnicos de Viana do Castelo a Almada, despesas de luz, água e cais de amarração na base naval do Alfeite e o seguro da embarcação".

"Não eram custos de substituição de peças. (…) Eu percebo que quem compra uma coisa está à espera que ela esteja no máximo de eficiência. Não era só por combustível e água e arrancar", adiantou.

Jorge Camões acrescentou que no ano passado os ENVC "tinham posto a hipótese de colocar o navio a seco, antes de fazer o negócio, para ver como estava", mas a operação acabou por não se realizar.

"Como havia muita pressa [na venda do navio] não foi feito, pronto paciência", rematou.

Lusa/SOL