Chiara Natasha preparava-se para receber a visita "dos pais e dos dois irmãos" na segunda-feira de manhã (domingo à noite, em Lisboa) em Singapura, país onde estuda, quando soube do desaparecimento do avião da AirAsia, que partiu da sua cidade natal, Surabaia, no leste da ilha indonésia de Java, com 162 pessoas a bordo.
A adolescente de 15 anos, acompanhada de outros familiares, chegou a Surabaia ontem à noite e hoje passou o dia no centro de assistência implementado no aeroporto internacional da segunda maior cidade indonésia.
Chiara Natasha confessou à Lusa ainda acreditar que toda a sua família directa está viva "no mar", mas, segundos depois, as suas lágrimas manifestavam o contrário.
"Eu acredito que eles estão vivos", disse igualmente um jovem indonésio de 23 anos que trabalha em Surabaia, Qunawan die Charly.
O jovem manifestou-se triste ao contar sete familiares que viajavam no voo QZ8501 – quatro irmãos, uma tia, um tio e uma avó – na esperança de passarem férias em Singapura, antes de a polícia cortar a conversa com a Lusa, cumprindo directivas dos responsáveis do aeroporto.
Várias dezenas de familiares dos passageiros permaneceram hoje no Aeroporto Internacional de Juanda, em Surabaia, tendo participado em duas conferências, a primeira com representantes dos organismos responsáveis pelas buscas, e a segunda com o vice-presidente da Indonésia, Jusuf Kalla.
O director-geral do aeroporto, Trikora Harjo, implementou uma zona reservada aos familiares, onde é fornecido apoio psicológico, e longe dos jornalistas.
Durante a primeira conferência, as janelas do local estavam tapadas por repórteres, que tentavam apanhar em fotografia e em vídeo o desânimo dos familiares, muitas vezes perceptível por um abaixar de cabeça prolongado.
No exterior, viram-se algumas emoções mais fortes, como um grupo de senhoras de meia-idade que partilhou abraços e lágrimas durante vários minutos.
O Airbus 320-200 da AirAsia transportava 155 passageiros, 149 dos quais indonésios.
Após um encontro com os familiares, o vice-presidente da Indonésia disse aos jornalistas que as autoridades ainda procuram sobreviventes, mas reconheceu estar preparado para "o pior", citando exemplos de casos semelhantes, como o do voo MH370 da Malaysia Airlines, que desde Março de 2014 está desaparecido sem deixar rasto.
Lusa/SOL