Obama de vento em popa

Obamacare, casamento gay, Cuba: Presidente dos EUA vive inesperado estado de graça.

A ano e meio do final do seu último mandato, Barack Obama vive em surpreendente estado de graça. A série de vitórias começou num inesperado acordo bipartidário, foi impulsionada por duas decisões favoráveis do Supremo Tribunal e culminou com o anúncio de que a embaixada norte-americana em Cuba voltará a abrir portas em Julho, 54 anos depois da ruptura entre os dois países.

Com uma maioria de 60 contra 37, o Senado aprovou uma lei que permitirá ao Presidente finalizar o acordo comercial que negoceia há anos com 11 países do Pacífico (TTP) sem estar tão dependente do debate parlamentar. Ou seja, o Congresso será chamado a votar o acordo final – o mesmo acontecerá com o acordo comercial com a Europa (TTIP) – mas não poderá arrastar o processo, como vem fazendo há meses, com a introdução de emendas à legislação.

Seguiram-se duas vitórias históricas no mais alto tribunal do país. Por seis votos contra três, os juízes acabaram com dois anos de batalhas judiciais ao decretar a legalidade dos subsídios federais na contratação de um seguro de saúde. Um pilar da Obamacare, lei «que está aqui para ficar», como celebrou o Presidente.

Também a legalização definitiva de casamentos entre pessoas do mesmo sexo em todos os estados do país, aprovada no Supremo com 5 votos contra 4, tem de ser vista como uma vitória de Obama, que apesar de ter defendido as uniões de facto até 2012 incluiu o casamento gay entre as prioridades alinhavadas no discurso de tomada de posse do segundo mandato.

Também por um voto, o Supremo derrotou na segunda-feira uma iniciativa do Presidente que pretendia limitar as emissões poluentes de centrais termoeléctricas, considerando que a lei não tivera em conta os custos da aplicação da medida. Mas a derrota acabaria ofuscada pelo anúncio de mais uma «etapa histórica» no reatamento de relações com Havana – a reabertura de embaixadas agendada para 20 de Julho.