Droga. O nome marijuana vem de uma Maria Joana?

Marijuana, maconha, Mary Jane, MJ… São muitos os nomes dados a esta droga que, ao longo dos últimos anos, tem vindo a ganhar cada vez mais admiradores. Qual a origem do seu nome? Será que existe mesmo uma mulher chamada Maria Joana por detrás deste termo?

Alguns usam o termo canábis, outros preferem utilizar marijuana. Muito se especulou em relação à origem desta última designação, com várias pessoas a defenderem que vinha do nome feminino Maria Joana. Mas será que vem mesmo? Ou será que esta teoria não passa de um mito?

A verdade é que, principalmente nos países anglófonos, os consumidores desta substância referem-se à mesma como Mary Jane (Maria Joana em inglês) ou simplesmente MJ. Mas até que ponto está correta esta “tradução”? Segundo as investigações mais recentes, não existe qualquer ligação entre o termo usado para referir esta droga e o nome Maria Joana, daí que esta versão inglesa não esteja certa.

Mas, então, de onde vem o nome marijuana? O termo hispânico começou por ser escrito com h ou g (marihuana ou mariguana) e vários estudiosos dizem que o termo escrito com um j (‘marijuana’) surge como uma evolução imposta pelo mundo anglo-saxónico. Segundo o Oxford English Dictionary, existe uma forte possibilidade de o nome original vir do nauatle – língua usada pelo povo asteca desde, pelo menos, o séc. vii e falada no território que atualmente corresponde à região central do México. O termo original seria mallihuan, que significa prisioneiro. No entanto, de acordo com a informação veiculada em vários sites sobre o tema, o linguista Jason D. Haugen, da Universidade de Oberlin (EUA), defende que não existe qualquer base semântica na ligação entre esta palavra e o termo nauatle, sugerindo que a semelhança fonética não passa de um “acidente homófono”.

Outras teorias defendem que a origem da palavra marijuana está no termo chinês ma ren hua, nome dado à semente da canábis. Este terá sido implementado no México graças aos coolies, trabalhadores braçais asiáticos enviados para a América, África e Oceânia durante o séc. xix e início do séc. xx.

A verdade é que linguistas e historiadores ainda não conseguiram descobrir a origem desta palavra. Mas uma coisa é certa: nada indica que o termo marijuana tenha origem numa mulher chamada Maria Joana.

Que países autorizam o consumo de marijuana? A comercialização e o consumo desta droga geraram grandes debates em países de todos os continentes. Na Argentina, por exemplo, a lei que descriminaliza o uso da canábis entrou em vigor em 2009, mas a venda, o transporte e o cultivo continuam a ser proibidos.

E sabia que é de Israel que saem alguns dos estudos mais avançados sobre o uso medicinal desta droga? Embora o consumo não medicinal seja ilegal, é comum encontrar pessoas a consumir na rua.

Nos Estados Unidos, a lei difere consoante os estados. No Nevada, Maine, Colorado, Washington, Califórnia, Massachusetts, Alasca e Oregon, a venda e posse de marijuana é legal tanto para fins medicinais como para fins recreativos. No entanto, no Indiana, Virgínia Ocidental, Kansas, Dakota do Sul e Idaho, esta droga é completamente proibida.

A Holanda é o único país da União Europeia onde é permitida a venda legal de canábis nos chamados coffee shops e, na Jamaica, a droga só foi descriminalizada no ano passado.

Em Portugal, o uso da canábis foi descriminalizado a partir de 1 de julho de 2001.

No entanto, ao contrário de outros países, a produção, distribuição e consumo desta substância continuam a ser proibidos. Segundo o relatório “A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências”, realizado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências em 2014, a marijuana é a droga mais consumida pelos portugueses – neste ano, 9,4% da população admitiu ter tido pelo menos uma experiência de consumo ao longo da vida e 2,9% serão utilizadores regulares. Além disso, o mesmo documento refere que, em 2014, esta era a substância consumida por 49% dos novos doentes seguidos em ambulatório, enquanto a heroína continua a ser a droga com mais peso entre os doentes em tratamento.