Traído pela anca, Murray diz adeus

Aos 31 anos, um dos maiores tenistas britânicos de sempre – se não o maior – anunciou o fim da carreira devido às insuportáveis dores. Pode ser em julho… ou já.

Um anúncio doloroso e cheio de emoção, mas longe de inesperado. Andy Murray, um dos mais bem sucedidos tenistas britânicos de sempre, revelou esta sexta-feira que irá colocar muito em breve um ponto final na sua carreira. Aos 31 anos, e numa conferência de imprensa marcada pelas lágrimas – a uma certa altura acabou mesmo por abandonar a sala, regressando mais tarde –, Murray admitiu ser impossível superar a lesão na anca que o vem a atormentar nos últimos dois anos.

«Tenho tido muitas dores de há uns 20 meses para cá. Fiz basicamente tudo o que podia para a minha anca melhorar, mas não deu grande resultado. Estou um bocadinho melhor do que há seis meses, mas continuo com muitas dores. Consigo jogar até um certo nível, mas não o nível a que já joguei um dia. A dor é demasiada, na verdade. Preciso de pôr um ponto final porque não faço ideia quando a dor irá parar», revelou o tenista britânico, salientando o desejo de conseguir fazer uma última participação em Wimbledon, em julho, mas admitindo também que esse dia pode nem chegar: «É aí que quero deixar de jogar, mas não tenho a certeza se vou conseguir. Há outra opção, um pouco mais complicada, que me permitiria ter melhor qualidade de vida e ficar livre das dores. É algo que estou seriamente a considerar. Alguns atletas fizeram-na e voltaram a competir, mas não há garantias disso.»

 

A última tentativa

Tricampeão de torneios do Grand Slam (duas vezes em Wimbledon, em 2013 e 2016, e uma no Open dos Estados Unidos, em 2012) e bicampeão olímpico (2012 e 2016), Andy Murray garante ainda assim estar apto para disputar o Open da Austrália, que se realiza a partir desta segunda-feira até ao dia 27 deste mês e onde Murray foi finalista vencido em cinco ocasiões. O tenista nascido em Glasgow, Escócia, irá enfrentar na primeira ronda Roberto Bautista, atual número 23 do ranking mundial – um ranking que Murray liderou entre 7 de novembro de 2016 e 1 20 de agosto de 2017.

Hoje, depois de ter passado praticamente todo o ano de 2018 sem competir, por força da cirurgia à anca a que foi submetido em janeiro, Andy Murray ocupa o 230.º lugar na hierarquia mundial. Voltou aos campos em Brisbane, na semana passada, vencendo a partida de estreia mas caindo na segunda ronda perante Daniil Medvedev, numa partida onde ficaram bem à vista as dificuldades para se movimentar.

Seis vezes finalista de torneios de Grand Slam – primeiro britânico a vencer um em mais de 76 anos –, Murray contabiliza 663 vitórias, que resultaram na conquista de 45 títulos. Com Roger Federer,_Rafa Nadal e Novak Djokovic, é o mais jovem integrante do grupo de tenistas masculinos que dominou os grandes torneios mundiais durante um longo período – o chamado Big Four. Agora, tudo indica que será o primeiro a retirar-se dos courts: Federer, de 37 anos, Nadal, de 32, e Djokovic, de 31, parecem ainda confiantes em prolongar a carreira por mais algum tempo. Para já, muitos foram os pedidos via redes sociais para que continue a lutar e não encerre ainda a carreira, mas tudo vai depender da resposta que a anca der agora em Melbourne.