‘Não há um ganho para ninguém’

Semana terminou sem respostas fechadas. CUF e Luz já estão a divulgar novos preços para os beneficiários da ADSE mas a associação que representa os privados diz que há espaço para recuo na suspensão de convenções. Pedro Pita Barros considera que todos saem a perder.

Já era de prever esta rutura?

A tensão vinha de alguma forma em crescendo. Não era previsível há dois anos, mas há dois meses já havia sinais públicos de tensão.

Quem é o principal prejudicado?

O beneficiário da ADSE (paga o mesmo mas deixa de ter acesso a prestadores nas condições anteriores).

E quem ganha com esta rutura?

Não há um ganho para ninguém. Mesmo como parte de um processo de negociação, não é claro que com a rutura se alcancem condições muito melhores, por parte dos privados, do que numa negociação que fosse bem conduzida de lado a lado. 

Há o risco de aumentar a percentagem de desconto para a ADSE, que está nos 3,5% do salário?

Sim. Com a despesa a aumentar, se não diminuírem as coberturas ou a despesa média através da redução de preços ou de utilização, a única solução será aumentar a percentagem de desconto da ADSE. A entrada de novos beneficiários com menor utilização de serviços poderá ser uma forma de baixar a despesa média e com isso recuperar alguma folga.

Seria conveniente o Estado através do Orçamento voltar a disponibilizar uma verba para este subsistema?

Não. A intervenção do Estado no setor da saúde deve ser feita através do SNS.

Corre-se o risco de os funcionários públicos ‘correrem’ para os seguros de saúde?

Apenas nos funcionários públicos de elevado rendimento, cuja contribuição para a ADSE à taxa corrente d 3,5% já está próxima, se não mesmo ultrapassa, o prémio de seguros de saúde privados. 

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