‘Hospitais Verdes’ e a transição ambiental

Os hospitais têm o dever moral, em primeiro lugar, no objetivo da transição ambiental, pois um dos efeitos mais nocivos da poluição e emissões de CO2 é na saúde da população. 

Por Dora Montenegro Ramos, economista

Recentemente temos ouvido falar da transição ambiental nas PME´s e grandes empresas, sendo que os hospitais são empresas de média ou grande dimensão, em muitas localidades são mesmo as maiores instituições. Outro motivo que torna o tema pertinente é o fato de que a transição ambiental deve ser necessariamente justa, logo, aplicável a todos os setores.

Transpondo das empresas para um hospital, existem três aspetos da sua atividade que contribuem para a transição climática, sejam: utilização de energia limpa (com utilização de fontes renováveis como o hidrogénio verde ou processos de captura de CO2); utilização de produtos limpos (como veículos elétricos ou produtos têxteis com recurso à economia circular) e utilização de processos produtivos limpos (como na construção civil utilizando cimento limpo; eficiência energética e a própria economia circular). 

Pode-se dizer que o termo ‘Hospitais Verdes’ se encontra entre o direito à saúde e à proteção do ambiente. Assim, podemos dizer que o ‘Hospital Verde’ é aquele que promove a saúde pública e reduz continuamente os impactos ambientais, eliminando o seu contributo para a carga de doenças, reconhecendo assim, a relação entre saúde humana e o meio ambiente demonstrando esse entendimento através da sua gestão, estratégia e operações.

Os hospitais têm o dever moral, em primeiro lugar, no objetivo da transição ambiental, pois um dos efeitos mais nocivos da poluição e emissões de CO2 é na saúde da população. 

Segundo a Agenda Global para Hospitais Verdes e Saudáveis existem dez objetivos a serem alcançados. Em primeiro lugar a liderança, no sentido de priorizar a saúde ambiental como imperativo estratégico. O objetivo é criar uma mudança de cultura organizacional no longo prazo, alcançar uma ampla participação dos trabalhadores do setor e da comunidade, fomentando políticas públicas que promovam a saúde ambiental.

Em segundo, substituir substâncias químicas perigosas por alternativas mais seguras, com o objetivo de melhorar a saúde e a segurança dos doentes, dos trabalhadores, das comunidades e do meio ambiente.

Em terceiro, o objetivo de reduzir, tratar e depositar de forma segura os resíduos dos serviços de saúde, com o propósito de proteger a saúde pública reduzindo o volume e a toxicidade dos resíduos produzidos, implementando ao mesmo tempo as opções ambientalmente mais apropriadas de gestão e destino dos resíduos. 

Em quarto, implementar eficiência energética e geração de energia limpa e renovável, reduzindo o uso de energia proveniente de combustíveis fósseis como forma de melhorar e protegera saúde pública, promover a eficiência energética, bem como o uso de fontes renováveis, visando, em longo prazo, obter 100% das necessidades de energia obtidas de fontes renováveis geradas no hospital ou na comunidade.

Em quinto, reduzir o consumo de água e fornecer água potável implementando uma série de medidas de conservação, reciclagem e tratamento que reduzam o consumo de água dos hospitais e a poluição por águas residuais. 

Em sexto, melhorar as estratégias de transporte para doentes e funcionários, desenvolvendo estratégias de transporte e de assistência à saúde que reduzam a pegada de carbono dos hospitais e o seu contributo para a poluição local.
Em sétimo, comprar e oferecer alimentos saudáveis e cultivados de forma sustentável, reduzindo a pegada ambiental dos hospitais estimulando ao mesmo tempo hábitos alimentares saudáveis entre os doentes e funcionários. Favorecer o acesso a alimentos produzidos localmente e de forma sustentável na comunidade.

Em oitavo, temos os produtos farmacêuticos com prescrição apropriada, administração segura e destino correto, reduzindo a poluição por produtos farmacêuticos diminuindo as prescrições desnecessárias, minimizando o destino inadequado de resíduos farmacêuticos, promovendo sua devolução aos fabricantes.

Em nono, apoiar projetos de construção de hospitais verdes, reduzindo a pegada ambiental do setor da saúde e transformar os hospitais em um local mais saudável para funcionários, doentes e visitantes mediante a incorporação de práticas e princípios de edifícios ecológicos no projeto e na construção de unidades de saúde.

Por último, comprar produtos e materiais mais seguros e sustentáveis, através de compras de materiais produzidos de maneira sustentável através de cadeias de acréscimo social e ambientalmente responsáveis.

Assim, para a transição energética contribuem como meios de resposta a sustentabilidade e o uso eficiente dos recursos, promovendo a economia circular. Isto para atingir o objetivo que nos parece longínquo, mas que no fundo está mesmo aí à porta, alcançar a neutralidade carbónica em 2050, com todos os efeitos que tem na nossa vida, na nossa economia e em como vivemos e produzimos riqueza.