Cada família estabelece-se em torno de ideais e valores próprios e o tipo de organização e de relações que desenvolvem diferem de clã para clã. Se muitas vezes os opostos se atraem ao ponto de originar um casamento e com ele o nascimento de uma nova família, nem sempre as diferenças entre cada tribo são fáceis de gerir.
O sucesso e duração de um casamento podem estar relacionados, entre uma série de outros fatores, com o ‘enxoval’ que cada parte traz e, consequentemente, com a forma mais ou menos sadia como cada uma se relaciona com a sua família de origem.
A saída de um filho para dar início a uma nova família pode originar uma série de inseguranças, angústias e tristezas, que serão vividas de acordo com o mundo interno de cada um e também com a relação que foi desenvolvida entre todos. Pode haver uma demissão e afastamento, uma intrusão e tentativa de manter o controlo em relação a todas as decisões do novo casal ou, idealmente, uma relação segura e próxima, mas independente, com respeito e confiança entre a família de origem e aquela que se está a formar.
Quanto mais sólida, segura e maleável for a forma como as relações foram criadas e interiorizadas, mais facilmente se perceberá que o lugar dos pais é insubstituível. Por outro lado, sair do papel de filho para assumir um outro mais autónomo e adulto também pode ser difícil.
Nem sempre estes papéis novos são fáceis de gerir, tanto em relação aos pais, que se confrontam com uma família nova, como em relação aos cônjuges, que se sentem ou imaginam invadidos ou roubados, ou ainda aos filhos, que em algumas famílias fazem lembrar o homem elástico com os pais a puxar por um braço e o cônjuge a puxar pelo outro. No fundo não é mais do que uma luta de território com várias frentes.
Lembro-me de uma paciente que tive em consulta que estava grávida e a sua maior preocupação era assegurar que quando o bebé nascesse a sogra não tomasse conta dele.
Neste duelo de titãs, por vezes entre famílias com ideais e funcionamentos muito díspares, é fundamental alguma tolerância e respeito de parte a parte. É preciso acreditar e contribuir para um ideal comum, que será a continuidade, crescimento e enriquecimento da família com a constituição de uma família nova, com as suas características próprias e por vezes muito diferentes das de origem, com as suas boas e más decisões e com o seu tempo e espaço. Mas também é preciso que esta nova família não sinta que tem de se fechar sobre si mesma com receio de ser invadida e suplantada. A relação, a dedicação, a confiança e a entreajuda entre todos, nos bons momentos e também nos mais difíceis, é o que faz de uma família a maior e melhor instituição.
Ainda que saiamos todos à mãezinha ou ao paizinho com tudo de mais pejorativo e irritante que isso possa significar, é neste encontro de tribos que nos tornamos mais ricos e mais completos, com todas as características novas que a outra fação traz e também com aquilo que podemos oferecer, formando assim uma tribo nova e original com todos os seus defeitos e também com as suas muitas virtudes.
És igual à tua mãezinha!
Neste duelo de titãs, por vezes entre famílias com ideais e funcionamentos muito díspares, é fundamental alguma tolerância e respeito de parte a parte