Eliézer está em Portugal há três anos e é nadador salvador na praia da Sereia, na Costa da Caparica. Ganha 5,20 euros à hora. Trabalha 10 horas, o que dá cerca de 50 euros por dia.
No Brasil era professor na rede estadual de ensino e educação, em línguas, mas no verão, também fazia o trabalho de «guarda-vidas civil», na praia onde morava, em Santa Catarina. «Quando vim, preparei-me bem no Brasil. Fiz todo o trâmite legal, desde o visto de trabalho, até o dinheiro para me poder manter. Vim através de uma carta convite de uma associação – Caparicamar. Fiz a minha inscrição numa empresa de São Paulo e ela ajudou-nos com o passaporte, visto, seguro, curso… Fiz um curso de pré-requisitos de 6 meses, para me preparar. Tive toda a assistência», garante. Quando chegou já tinha local para trabalhar, contrato de prestação de serviços e teve de fazer um exame. «Porque tinha de ter a certificação. Não correu muito bem a princípio. Não passei à primeira. Vinha com uma grande base, mas as coisas são muito diferentes. Por isso, fiz todo o curso de nadador salvador aqui em Portugal para poder entender como funciona, como é o mar, como são as piscinas», conta.
Começou por ficar alojado num hostel com quatro pessoas num quarto. «Fui para Cacilhas, fiquei 15 dias. Confortável na medida do possível. Depois mudei-me para a Costa da Caparica. Também fiquei num hostel com 4 camas. Depois, consegui a minha casa em frente ao mar», afirma. Segundo o profissional, o trabalho em Portugal é muito diferente. «Principalmente no estado de Santa Catarina, a gente tem o Estado junto da operação. Isso contempla o corpo de bombeiros militares. Seria como se os bombeiros da Trafaria tomassem conta do salvamento aquático e o Estado desse apoio aos bombeiros. Foi onde eu tive um choque. No Brasil a gente tem todo um suporte, desde helicópteros de salvamento, motas de água, militares… Eles atuam como se fossem a polícia marítima», acredita.
Para si, a maior dificuldade na atividade é o posto de serviço. «A Polícia Marítima, os concessionários, a associação, deviam entender que passamos aqui 10 horas por dia durante 6 meses. Precisamos de mais condições. Levamos com vento, sol, a maré que às vezes enche e ocupa o posto… Se alguém olhasse para isto – e não é caro –, as coisas seriam mais fáceis. É muito calor, precisamos de estar protegidos», denuncia.
No Inverno, Eliézer trabalha nas piscinas. «No verão nós temos as concessões de praia que fazem os pagamentos. Quando passamos para as piscinas são associações que nos pagam coordenadas pela Câmara. Aqui a gente começa a ter ordenados mais atrasados… Fica complicado», desabafa.