Segundo as notícias que nos chegam da Ucrânia, Zelensky afastou dois ministros por terem sido apanhados em esquemas de corrupção. Diante destes factos, temos de o dizer: Portugal deverá aprender com os serviços ucranianos, porque mesmo no meio de uma guerra a Ucrânia tem tido a capacidade de escrutinar os seus ministros.
As notícias em Portugal são de bradar aos céus. Parece que dois brasileiros, junto ao Marquês de Pombal, enfrentam um americano com uma arma e levam o seu Rolex. Uma médica consegue, recorrendo a uma espécie de burla, lesar o Estado Português, isto é, nós, em receitas de um medicamento destinado a diabéticos, usando-o para emagrecimento.
Duas funcionárias, presas, dedicavam-se a inscrever no Serviço Nacional de Saúde imigrantes ilegais. Naturalmente que a sua filantropia, pelo que se diz na comunicação, eram compensadas com umas moedinhas. Afinal, temos de ajudar as pessoas que chegam ao nosso pais!
Também se encontrou um médico que em dez sábados recebeu centenas de milhares de euros, naturalmente, fazendo horas extra. Um diretor de serviço que tinha uma avença do hospital em que trabalhava com a sua própria clínica.
Ao ouvir os comentários que faziam a esta bagunça terceiromundista, perguntava uma jornalista: «Mas porque é que as pessoas fazem estas coisas?». Então a grande conclusão a que se chegou naquele painel fez-me pensar que afinal nós começamos a acreditar no que a teologia católica tem dito: «É da natureza humana».
O que é que é da natureza humana? Burlar, falsificar, roubar? Não! Isso é apenas uma parte. Esta jornalista e estes convidados do painel chegaram à conclusão que, realmente, a teologia tinha razão: a natureza humana está decaída e a sua vontade ferida.
O Pecado Original não é, como dizem alguns, o pecado sexual, mas o desejo e a efetivação de decidir por si mesmo o que é bem e o que é mal. Aliás, a árvore de onde Eva tinha comido o seu fruto chamava-se ‘árvore do conhecimento do bem e do mal’. Não era uma mação, como o pintam.
A partir daquele momento, o homem desliga-se de Deus e começa ele mesmo a decidir o que é bem e o que é mal. O homem fica surdo, já não houve Deus, já não ouve nada, nem ninguém. É ele que passa a ditar a sua própria lei. É o homem quem decide o que é bem e o que é mal.
A ‘autonomia’ humana em relação a Deus, faz com que a sua vontade fique ferida e fique não apenas surdo, mas também cego. A natureza decaída, que existe no homem, não o deixa ver o mal. Daí a jornalista dizer: «É a natureza humana».
Todos já sentimos o que diz São Paulo: «Faço o mal que não quero e o bem que quero não faço». Esta aparente contradição de conhecer o que é bem e o que é mal, mas fazer o contrario do que lhe vem ao conhecimento, chama-se ‘Pecado Original’.
O homem fica surdo à voz de Deus e cego, pois não vê mais do que poder e dinheiro. Afinal, a vida vai acabar daqui a pouco tempo e é preciso garantir a vida. Até por que a vida, isto é, a felicidade, está no dinheiro. Por isso, temos de agarrar todas as oportunidades para garantir o dinheiro e o poder, porque é daí que nos veem a vida, a felicidade e a paz.
Esta jornalista, sem querer, iluminou com um conceito teológico-filosófico a triste realidade humana, escrava das paixões deste mundo e dos prazeres terrenos de um prémio efémero que é o dinheiro.