Quando o país não pára no Natal

Que este Natal sirva não apenas para agradecer, mas também para renovar um compromisso coletivo. O compromisso de não virar a cara. De não esquecer quem cuida, quem protege e quem serve, todos os dias, com coragem, humanidade e sentido de missão

Nesta quadra natalícia, quando as luzes se acendem nas ruas e as famílias se reencontram à volta da mesa, há um país que não pára. Um país feito de pessoas que, longe das celebrações, continuam a trabalhar para que todos possamos viver este tempo com alguma tranquilidade e conforto. É a essas pessoas que devemos hoje uma palavra clara de reconhecimento e gratidão.

O Natal é, por excelência, um tempo de solidariedade. Mas para muitos, essa solidariedade não é apenas um sentimento sazonal. É uma missão diária. Falo de todos aqueles que mantêm o país a funcionar enquanto a maioria descansa. Profissionais de saúde, forças de segurança, bombeiros, trabalhadores dos transportes, da energia, da recolha de resíduos, da proteção civil. E falo, com especial destaque, de quem trabalha no setor social, tantas vezes de forma silenciosa, persistente e longe de qualquer aplauso.

O setor social não é um detalhe da nossa comunidade. É a sua espinha dorsal. É o lugar onde a dignidade humana é protegida quando tudo o resto falha. É aí que encontramos apoio para famílias em situação de pobreza ou risco social. É aí que se abrem portas quando há fome, desemprego ou desespero. É aí que existem respostas para quem não tem casa, para quem vive na rua, para quem precisa apenas de um lugar seguro para recomeçar.

É também no setor social que se constrói o futuro. Na educação das crianças. Na formação de jovens que procuram uma oportunidade no mercado de trabalho. Na promoção da saúde, do bem-estar e da saúde mental. No acompanhamento de doentes oncológicos e das suas famílias, nos momentos mais difíceis, quando o medo é grande e a esperança precisa de ser cuidada todos os dias.

Falamos de crianças e jovens em risco. De idosos que merecem envelhecer com dignidade. De pessoas com deficiência. De mulheres vítimas de violência doméstica, que encontram nestas instituições proteção, acolhimento e coragem para reconstruir a sua vida. De migrantes e refugiados que procuram integração na comunidade que os recebe.

Falamos de habitação e de condições de vida. De respostas sociais que garantem um teto, água, saneamento e segurança. Porque não há cidadania sem condições mínimas para viver com dignidade. Falamos de direitos humanos, de combate à discriminação, de promoção da igualdade, de acesso à justiça e à informação. Falamos de cidadania ativa, de voluntariado, de comunidades mais fortes.

Falamos ainda de cultura, de desporto e de lazer como ferramentas de inclusão. Projetos culturais que transformam vidas. O desporto que afasta jovens da exclusão. Atividades que criam laços, pertença e esperança.

Nesta quadra natalícia, o nosso louvor deve ser mais amplo, mais profundo e mais exigente. Louvamos cada instituição social. Louvamos todos os colaboradores, voluntários e dirigentes. Louvamos o espírito de solidariedade e de iniciativa livre da sociedade civil em favor dos que mais precisam e da coesão da nossa comunidade.

Que este Natal sirva não apenas para agradecer, mas também para renovar um compromisso coletivo. O compromisso de não virar a cara. De não esquecer quem cuida, quem protege e quem serve, todos os dias, com coragem, humanidade e sentido de missão. É graças a eles que o país continua a funcionar, mesmo quando o resto parece parar.