Esta época do ano é diabólica pela correria do consumo, termos que ser agradáveis por obrigação e cruzarmo-nos com pessoas que não são muito simpáticas para connosco e do nosso agrado.
Mas a vida é mesmo assim, como estamos inseridos numa sociedade, temos que fingir um pouco para o nosso bem-estar mental e para a nossa paz interior.
Ter saúde resolve tudo ou quase tudo. Pelo que vejo há muita gente com dinheiro, que não me parece que seja mais feliz do que muita gente sem dinheiro. E, chego à conclusão que quem tem muito dinheiro morre e tem doenças como os outros.
Vamos ver se começamos o ano com com o pé direito, pois lamento ser pessimista, mas a geopolítica faz-me crer que vamos entrar com o pé esquerdo.
Putin não é flor que se cheire e o Médio Oriente tem uma paz podre. Trump é um louco narcisita.
A tradição de comer 12 uvas passas na passagem de ano, uma a cada badalada da meia-noite, é um ritual popular em Portugal e pedir sorte para os 12 meses seguintes, com desejos de prosperidade, saúde, amor e trabalho.
À meia-noite deve comer-se uma passa a cada badalada, fazendo um desejo em silêncio para cada mês. Eu adormeci e não ligo nada a este tipo de rituais. Vou estar tramado em 2026 não vou ter sorte.
Eu não gosto de uvas passas, mas já o fiz obrigado pela minha mãe quando era jovem com uvas frescas, mas reconheço que sempre tive dificuldade de acompanhar o ritmo das badaladas. Comer uma uva por cada badalada.
Como tenho a mania que sou do contra e diferente, comecei o ano com o pé esquerdo.
Estou preparado para que nenhuma promessa seja cumprida, que os meus desejos se percam na espuma dos dias de 2026. Não ter cumprido o ritual de comer as uvas contrasta com o ano de 2025, em que sempre apostei que Luís Filipe Menezes iria concorrer e vencer as eleições. Mas há coisas que deixei pendentes e inacabadas.
A vida, enquanto dura, é inacabada e expressa-se com tarefas inacabadas das quais me envergonho, e conquistas das quais não tenho por hábito vangloriar-me.
Neste ano de 2026 vou procurar fazer algo importante para a minha maneira de ser, combater o castelo de ilusões e a síndrome do Titanic, essa insistência insensata em acreditar que “está tudo bem”.