Sociedade

Helicóptero da Força Aérea em Porto Santo parado há dois meses

O helicóptero da Força Aérea Portuguesa (FAP) em Porto Santo está parado há dois meses por falta de piloto comandante – o que está a prejudicar a busca, salvamento e evacuação de doentes nos mares da Madeira, com percussões negativas nos Açores.

No passado fim-de-semana, para salvar um pescador ao largo da Madeira, a Força Aérea Portuguesa deixou de evacuar um homem colhido por um touro na ilha de São Jorge, nos Açores. A vítima acabou por morrer enquanto esperava por meios aéreos para ser transferido para o hospital de Ponta Delgada. Tudo porque, para evacuar para o Funchal o tripulante da embarcação de pesca Rei dos Açores, foi necessário recorrer ao helicóptero estacionado nas Lajes. Em condições normais, face ao local da embarcação (312 milhas náuticas a sudeste da ilha de Santa Maria, ou seja, mais perto da Madeira), seria mobilizado o helicóptero Merlin EH-101 estacionado em Porto Santo. Mas aqui o único meio que foi mobilizado, para acompanhar o EH-101 que veio dos Açores, foi o avião C-295M.

A operação na Madeira foi bem sucedida. O mesmo não aconteceu nos Açores: quando foi recebido o pedido de Velas, o helicóptero militar estava na Madeira e o homem colhido pelo touro acabou por morrer.

O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, ordenou entretanto a realização de um inquérito.
O caso pôs a nu a actual vulnerabilidade da busca, socorro, salvamento e evacuação de doentes na imensa Zona Económica Exclusiva de Portugal. 

A saída de pilotos da Força Aérea para a aviação comercial e a redução, em 60%, do número de pilotos comandantes da FAP no último ano afectou o destacamento em Porto Santo, que ficou, em final de Abril passado, sem o piloto comandante que operava o helicóptero EH 101, Merlin, utilizado nas missões de busca e salvamento.

Sem piloto comandante, embora a restante tripulação esteja operacional, o helicóptero do aeródromo de manobra n.º 3 (Porto Santo) da Esquadra n.º 751 (Montijo) não levanta voo. Em caso de necessidade de operação nos mares da Madeira, as alternativas são os 'helis' do Continente (Montijo) ou dos Açores, ou enviar um comandante a Porto Santo para operar o aparelho. Mas a prontidão não é a mesma.

Situação ‘grave’

A 9 de Maio último, numa visita à Madeira, o Chefe do Estado-Maior da FAP, General José António Pinheiro reconheceu que a inexistência de piloto comandante do helicóptero estacionado em Porto Santo é uma situação “grave”. 

A esquadra dos helicópteros de busca e salvamento só tem 6 pilotos comandantes para todo o país. Existem pilotos em número suficiente, mas não há horas de voo suficientes para os qualificar em determinadas aeronaves.

Todo o dispositivo de busca e salvamento sofreu alterações em finais de Abril. Passou apenas a contar com um alerta no Montijo (uma tripulação de C295 e uma tripulação de EH101), mas só existe um EH101 nos Açores e uma tripulação sem comandante em Porto Santo.

A 9 de Maio último, o ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, assegurou que o piloto comandante seria reposto dentro de “pouco tempo”, mas já passou mais de um mês. Nem a FAP sabe quando será reposto o piloto comandante em Porto Santo. Há pilotos a serem qualificados, um processo que demora “o seu tempo”, reconheceu o general José António Pinheiro.