Economia

BCP vende banco na Roménia por 39 milhões de euros

O Banco Comercial Português (BCP) vendeu a totalidade do capital social do Banca Millennium Roménia (BMR) ao OTP Bank, por um valor de 39 milhões de euros, revelou hoje o banco liderado por Nuno Amado.

A concretização do negócio entre o banco português e a instituição financeira de origem húngara "está sujeita a condições usuais, em particular, à obtenção das autorizações das entidades regulatórias", informou o BCP num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

"Na data de concretização da operação de venda, o OTP Bank assegurará o reembolso integral ao BCP do financiamento prestado por este ao BMR, no montante aproximado de 150 milhões de euros", lê-se no documento.

Na segunda-feira, o presidente do BCP, Nuno Amado, tinha revelado durante a conferência de imprensa de apresentação das contas semestrais do banco que a formalização da alienação da sua operação na Roménia estava muito próxima.

"Estamos muito próximos de assinar um primeiro acordo, mas, até ao lavar dos cestos é vindima", afirmou na ocasião o gestor, sem adiantar mais detalhes.

Certo é que "a operação tem um impacto estimado negligenciável no rácio 'common equity tier 1' consolidado do BCP, decorrente de uma perda de 34 milhões de euros, já provisionada na conta de exploração consolidada do primeiro semestre", revelou hoje em comunicado o BCP.

Esta perda foi "compensada pela libertação de 351 milhões de euros de activos ponderados pelo risco, também já reflectida no valor 'pro forma' recentemente divulgado para o final do primeiro semestre de 2014 (12,5% de acordo com os critérios 'phased in', 9% em base 'fully implemented'", realçou o banco.

Durante o primeiro semestre, os únicos prejuízos que o BCP registou na área internacional foram na Roménia, devido, precisamente, à constituição de uma provisão de 34 milhões de euros.

O objectivo foi colocar o valor da participação [detida pelo BCP] perto do valor que o banco realmente tem, explicou então Nuno Amado.

A alienação do banco romeno do universo BCP foi imposta no acordo alcançado entre o Estado português e Bruxelas, devido ao auxílio estatal que o BCP recebeu.

O OTP Bank começou a ser privatizado em 1995, tendo iniciado um processo de expansão internacional que lhe permite estar hoje presente em oito países (Bulgária, Croácia, Roménia, Sérvia, Eslováquia, Ucrânia, Montenegro e Rússia), além da Hungria.

A seguradora francesa Groupama é, desde 2008, accionista de referência do grupo financeiro húngaro, com uma posição de 8%, de acordo com a informação que consta no portal oficial do OTP Bank.

Lusa/SOL