Tecnologia

BuzzFeed, o próximo gigante

O BuzzFeed, site de notícias americano com oito anos de existência, pensado de raiz para uma época em que  os consumidores acedem à informação sobretudo em dispositivos móveis e que se popularizou por acrescentar às notícias sérias muitas listas de trivialidades e 'vídeos de gatinhos', acaba de ser avaliado em 850 milhões de dólares.
Segundo o Guardian, o BuzzFeed atinge assim um valor três vezes superior ao do venerável Washington Post, comprado  no ano passado pelo dono da Amazon, Jeff Bezos. 

Aposta em ser número 1

A nova avaliação do BuzzFeed  decorre da injecção de capital (anunciada há duas semanas) da Andreessen Horowitz (AH), uma companhia que tem financiado empresas principiantes no negócio online, tal como aconteceu com o Facebook,  o Twitter e o Skype.

Um dos associados da Andreessen Horowitz,  Chris Dixon, ficará na administração do site e justificou a aposta sustentando que o BuzzFeed será a breve trecho  um líder no mundo e muito concorrencial dos operadores de media.

O site foi criado há oito anos por Jonah Peretti, quando o Huffington Post (do qual tinha sido co-fundador, juntamente  com Arianna Huffington e Kenneth Lehrer) foi vendido à AOL. Inicialmente, o BuzzFeed foi visto pelos grandes grupos de media como concorrência inofensiva.

Um site que vive da partilha

Peretti previu uma tendência, que o próprio Huffington Post acabou por seguir, de que os consumidores querem ser informados, entretidos e inspirados, e que a maneira como isso acontece mudou dramaticamente. Assim, segundo o Guardian, os jornalistas e os colaboradores do BuzzFeed recebem bónus não pelo número de page views dos seus artigos, mas pela quantidade de vezes que esses artigos são partilhados nas redes sociais.

Actualmente, estima-se que o tráfico gerado cresça cerca de 75% por ano, tendo cerca de 150 milhões de leitores por mês -  sendo enormemente popular entre as camadas mais jovens (e também mais habituadas a navegar e distribuir informação nas redes sociais), um público  que é especialmente desejado pelos anunciantes.

O lucro estimado para o ano de 2014, segundo avançou Chris Dixon, será de 100 milhões de dólares. E com a injecção de capital terá meios de expandir a sua cobertura, muito para além das listas de curiosidades e coaching (do tipo '15 coisas que deverá dizer a quem está deprimido').

O BuzzFeed já emprega uma equipa de 550 pessoas, dos quais  200 são jornalistas, e está a contratar repórteres além-fronteiras. Recentemente, foi criada uma editoria de investigação, chefiada por Mark Schoofs, vencedor de um prémio Pulitzer, em 2000. 

A cobertura de temas de política internacional será igualmente uma das prioridades para os próximos anos.

telma.miguel@sol.pt