Vida

Bem-vinda, baleia azul

Nem tudo são más notícias entre as espécies animais não-humanas. Cientistas norte-americanos anunciaram que a população de baleias azuis da Califórnia recuperou nos últimos anos, tendo alcançado até um número que dizem ser sustentável, de cerca de 2200 indivíduos. Esta espécie, uma das mais ameaçadas de extinção no século XX, por via da caça levada a cabo por vários países da região, é das poucas que conseguiu escapar à depredação humana e recuperar, em grande parte devido ao cumprimento da proibição de caça que vigora desde 1966.

Os cientistas analisaram ainda os registos de caça praticada do lado americano do Pacífico – onde vive a espécie que recuperou população – e compararam-no com o do lado Noroeste daquele Oceano, onde estes cetáceos eram vítimas, essencialmente, dos arpões russos e japoneses. Deste lado, até 1966, a caça foi bastante maior, com mais de 300 mil baleias mortas. Os registos só puderam ser consultados recentemente, uma vez que os soviéticos os esconderam durante muitos anos.

A baleia azul é o maior animal do nosso planeta, com um comprimento que pode chegar aos 30 metros e um peso de 170 toneladas. Mas a equipa da Universidade de Washington responsável por este estudo frisa que a recuperação populacional só aconteceu, de facto, com esta espécie. Outras baleias continuam em risco, devido à caça fortuita ilegal que alguns países continuam a promover, muitas vezes não ‘oficialmente’. E mesmo não sendo caçadas, as baleias azuis e muitos outros cetáceos e peixes de grande porte continuam vulneráveis a outros perigos, como o embate contra navios. 

Daí que as autoridades norte-americanas já tenham pedido aos navios da marinha mercante que abrandem quando cruzam o Pacífico.  

ricardo.nabais@sol.pt