Economia

Supermercados aliam-se a pequenos comerciantes

As principais redes de supermercados em Portugal estão a apostar cada vez mais em parcerias com pequenos investidores independentes para crescerem no mercado nacional.

Em Fevereiro, a Jerónimo Martins anunciava que pretendia alargar a rede Pingo Doce, passando a ceder a gestão de lojas a terceiros. Nessa altura, segundo o presidente do Conselho de Administração, Pedro Soares dos Santos, havia três supermercados nesse regime. Em seis meses, o número duplicou.

“Já foram inauguradas seis lojas, em Vieira do Minho, Miranda do Douro, São Pedro do Sul, Mira, Celorico de Basto e Avintes. Prevemos que a próxima abertura seja este mês”, avança fonte oficial do grupo, questionada pelo SOL.

“O Pingo Doce vai continuar a apostar neste modelo para reforçar o seu plano de expansão”, continua, embora sem revelar quantos pedidos teve até agora. “Estamos muitos satisfeitos pois temos vindo a receber um número crescente de contactos e de candidaturas”, diz apenas.

Em Fevereiro, Pedro Soares dos Santos indicava que o objectivo era abrir 50 novos Pingo Doce seguindo esta estratégia - a replicar sobretudo fora da Grande Lisboa e do Grande Porto -, nos próximos cinco a seis anos. Por agora, o grupo não revela nem os investimentos nem os resultados das lojas geridas por terceiros. 

Neste regime, que difere do franchising porque não há pagamento de royalties, o parceiro do Pingo Doce é responsável pelo investimento em infra-estruturas (terreno, edifício, interiores) ou pelos custos com colaboradores (entre 30 e 50). Já a Jerónimo Martins assegura equipamento, licenciamento, alguns gastos operacionais, logísticos e de comunicação. Ter um Pingo Doce custa entre cinco e seis milhões de euros.

“Os actuais parceiros do Pingo Doce têm entre 30 e 50 anos, experiência profissional na área da distribuição alimentar e total dedicação à gestão do negócio”, realça a mesma fonte.

Na Jerónimo Martins, as parcerias com comerciantes independentes não são novas. Em 2011, a retalhista lançou a rede Amanhecer através de um modelo de cooperação comercial com proprietários de mercearias. Em Agosto deste ano chegou aos 100 espaços, duplicando a rede em sete meses, já que no final de 2013 tinha 53.

Sonae expande Well's e Note!

Em 2011, também a Sonae apostou no comércio de bairro, ao criar a marca Meu Super. Dedicou-a à sua rede de mercearias em franchising e já conta também com 100 espaços, antecipando o objectivo de aberturas que tinha para todo o ano. Agora, o plano é chegar às 120.

 A dona do Continente tem-se apoiado no franchising também para expandir as suas insígnias não alimentares. Este ano criou a Note! (ex-book.it), insígnia que passou a designar os seus espaços de livraria e papelaria e cuja primeira franquia abriu em Braga, em Junho. Há intenção de fechar o ano com mais quatro, que se somarão às 18 lojas próprias.
Em Agosto, o grupo liderado por Paulo Azevedo anunciava que iria adoptar o mesmo modelo para levar as suas parafarmácias Well's - até agora integradas nos seus supers e hipers - aos centros habitacionais. 

“A abertura de ambas as marcas ao franchising é uma evolução natural do negócio e enquadra-se na estratégia de crescimento das marcas, que pretendem reforçar a proximidade com os clientes”, explica fonte da Sonae.

ana.serafim@sol.pt