Touros de morte autorizados em Monsaraz

A Inspecção-geral das Actividades Culturais (IGAC) concedeu, pela primeira vez, autorização excepcional para um espectáculo com touro de morte, na vila medieval de Monsaraz, no Alentejo, revelou hoje à agência Lusa o presidente do município.

Touros de morte autorizados em Monsaraz

A autorização excepcional por parte da IGAC "surge na sequência de duas decisões em tribunal que já tinham transitado em julgado", adiantou o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, José Calixto.

O abate do touro vai ocorrer, no sábado à tarde, no final de uma novilhada popular, integrada nas festas em honra de Nosso Senhor Jesus dos Passos, que se realizam este fim de semana, em Monsaraz, no concelho de Reguengos de Monsaraz.

Numa referência a anos anteriores, o presidente do município considerou que "até era um pouco abusivo" designar como ilegal a morte do touro nas festas de Monsaraz, alegando que "os tribunais já tinham proferido sentença" sobre o caso.

"É o reconhecimento por parte do IGAC que a razão assiste ao povo de Monsaraz", afirmou José Calixto, assinalando que a decisão do organismo vai "afastar os adjectivos de ilegalidade da morte do touro em Monsaraz".

Segundo a tradição reivindicada pela população e autarquias locais, o espectáculo taurino – de carácter amador e popular e que termina com a morte ritualizada do touro no final da lide – realiza-se desde 1877, de forma ininterrupta.

Contudo, nos últimos anos, a IGAC tem recusado conceder autorização excepcional para o espectáculo com touro de morte, mas a população de Monsaraz tem cumprido a tradição, apesar da proibição.

Os promotores sempre reivindicaram o mesmo regime de excepção concedido a Barrancos em 2002, tendo, mais tarde, recorrido a providências cautelares e a acções administrativas para tentar legalizar o espectáculo.

Lusa/SOL