Cultura

Festival AmadoraBD faz 25 anos

O Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora cumpre 25 anos em Outubro e quer "reflectir sobre o estado da nona arte", internacional e portuguesa, perante novos suportes e tecnologias, afirmou à Lusa o director, Nelson Dona.

O AmadoraBD decorrerá de 24 de Outubro a 9 de Novembro no Fórum Luís de Camões e, perante o 25º. aniversário, a exposição central focará a "banda desenhada contemporânea, sobretudo dos últimos três anos, as temáticas, as formas de difusão, os suportes e a relação entre autor e leitor".

A menos de um mês da abertura, Nelson Dona lamentou que só agora esteja a ser divulgada a programação, justificando com demorados "procedimentos jurídicos e administrativos", uma vez que a organização é da autarquia da Amadora.

"Não é uma desculpa, é uma justificação".

A par da exposição central, intitulada "Galáxia XXI", comissariada por Sara Figueiredo Costa e Luís Salvado, e com obras de autores portugueses e estrangeiros, o AmadoraBD associa-se ainda a duas efemérides: os 75 anos de Batman, personagem criada na editora DC Comics, e os 50 anos da Mafalda, do autor argentino Quino.

Uma das novidades deste ano é a exposição dedicada ao ano editorial português, que inclui escolhas para lá dos álbuns que são anualmente candidatos aos prémios do festival.

O cartaz deste ano é assinado por Joana Afonso, autora que terá uma exposição individual, depois de ter sido premiada em 2013 com o álbum "O Baile", escrito por Nuno Duarte.

"Joana Afonso tem tantos anos como o festival, cresceu com a Internet e a sociedade de informação e trabalha nos dois suportes - papel e digital - e, por isso, também faz sentido que esteja ligada a esta reflexão", afirmou Nelson Dona.

Habitualmente, os autores premiados no ano anterior pela organização têm a sua obra exposta no festival.

Além de Joana Afonso, estão garantidas exposições dedicadas ao argumentista Nuno Duarte e ao álbum "O baile", a Osvaldo Medina, a Henrique Monteiro e à personagem Surfista Prateado, pelo álbum "Parábola", de Moebius, John Buscema e Stan Lee.

A ilustradora Catarina Sobral e o fanzine lusófono BDLP, criado em 2010 por João Mascarenhas, também merecem a atenção do festival, mas segundo Nelson Dona não haverá exposição do álbum "Fun Home – Uma tragicomédia familiar", por decisão da autora, a norte-americana Alison Bechdel.

A isto tudo junta-se ainda uma retrospectiva dedicada ao veterano autor português José Ruy, pelos 70 anos de actividade, com uma exposição no CNBDI (Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem), na Amadora, e outra sobre o livro com ilustrações em 3D "Jim Curioso" (Polvo), de Matthias Picard, que estará na Amadora.

Quanto à presença de autores, que são sempre um motivo de romaria ao festival para sessões de autógrafos e lançamentos, Nelson Dona confirmou seis: François Ayroles (França), Eric Shanower, Joe Stanton e Thomas Grindberg (EUA), Rafael Coutinho (Brasil) e o hispano-nipónico JM Ken Niimura, este em parceria com a editora Kingpin Books.

Ligado ao festival desde a primeira edição, em 1990, mas a dirigi-lo desde 2000, Nelson Dona afirmou que o AmadoraBD existe para servir o público e que isso é o mais gratificante, embora admita que o modelo de gestão do evento tenha de ser pensado pela autarquia.

Com um orçamento de 510.000 euros, semelhante a 2013, o programa do AmadoraBD está fechado desde Julho e é "uma aposta da autarquia", disse Nelson Dona, mas sofre as consequências de burocracias administrativas associadas à gestão autárquica.

Lusa/SOL