Vida

A surpreendente história por trás do vídeo de Pamela Anderson e Tommy Lee

   

Foi um dos primeiros grandes (e sórdidos) fenómenos da internet. Em 1995, e durante um par de anos a seguir, um vídeo de sexo protagonizado pela então super estrela das Marés Vivas Pamela Anderson e Tommy Lee, baterista dos Mötley Crüe, tornou-se num sucesso de audiências.

Muitos anos antes da explosão das redes sociais, a promoção foi feita boca-a-boca. E com o fenómeno nascia também o mito: que a cassete tinha sido difundida pelo próprio casal, que tinha ficado (ainda) mais rico.

No entanto, uma investigação da revista norte-americana Rolling Stone vem pela primeira vez contar a história. E a conclusão é que Pamela e Tommy Lee foram mesmo roubados.

O culpado é Rand Gauthier, um electricista e antigo actor porno que durante a Primavera de 1995 trabalhou na mansão do casal em Los Angeles. O roubo surgiu como vingança pelo tratamento a que fora sujeito por Tommy Lee, que ficou a dever 20.000 dólares ao técnico depois de meses de obra erguida e destruída por mero capricho – um interruptor fora do sítio era o suficiente para deitar abaixo uma parede. Para além da dívida, a estrela rock ameaçou ainda a tiro o electricista quando este veio buscar as ferramentas à mansão.

Gauthier queria vingar-se de Lee, homem de feitio incorrigível e um ego ‘inchado’ pelo facto de ter vendido 20 milhões de discos com 32 anos e de ter como mulher a loira mais desejada do mundo. Sabia que os Lee tinham um cofre na garagem com joias, armas e outros objectos valiosos. Passou então todo o Verão de 1995 a planear o roubo, que seria executado em Novembro.

Jackpot ou maldição?

Depois de levar e arrombar o cofre, Gauthier confirmou o valor do conteúdo: um Rolex, um relógio Cartier de ouro e diamantes, uma cruz de rubi e diamante, o bikini que Pamela usou no casamento. Mas havia mais – uma cassete. Nela, 54 minutos de vida conjugal e oito minutos de sexo hardcore.

Gauthier achou que tinha acertado no jackpot, e até começou a consultar anúncios de castelos à venda em Espanha antes mesmo de vender a primeira cassete. Mas tudo seria mais complicado do que imaginara. Nenhuma distribuidora de filmes pornográficos aceitou trabalhar com o filme, que sabiam ter sido roubado.

Mas a notícia espalhou-se, e Gauthier recebeu outras propostas. Primeiro, de um investidor estrangeiro que lhe ofereceu milhões de dólares. O electricista recusou-a, pois achava que podia fazer ainda mais dinheiro com o filme. E por fim dos Colombo, uma família mafiosa de Nova Iorque que então controlava boa parte da indústria pornográfica norte-americana.

A máfia não quis envolver-se directamente na distribuição da cassete, mas propôs financiar o negócio de Gauthier. A distribuição seria feita pelo próprio, através da internet, com recurso a uma companhia de fachada no Canadá.

Inicialmente, as coisas pareciam correr de feição. Com vendas explosivas, Gauthier recebeu dinheiro adiantado da máfia, que o mimava com estadias em Nova Iorque bem regadas a champanhe, cocaína e prostitutas. Mas era um presente envenenado, e o electricista acabou por lucrar pouco mais que nada devido aos pesados juros impostos pelos Colombo.

Cabeça a prémio

Tudo piorou rapidamente. Sem o dinheiro que esperava ganhar, Gauthier chegou a dormir em sofás em casa de amigos. E ficou a com a cabeça a prémio: foi perseguido por um agressivo detective privado contratado pelos Lee (que só deram pelo roubo em Janeiro de 1996), por um capítulo do gangue motard Hells Angels (que tinha ligações aos Mötley Crüe) e por fim pelos mafiosos que o tinham financiado.

Quem iria lucrar verdadeiramente com o vídeo seria uma nova geração de pornógrafos online, em parte responsáveis pelos actuais contornos da indústria de filmes para adultos. ‘Empresários’ como Seth Warshavsky, então com 25 anos, que montou uma série de sites de acesso pago que difundiam o filme de Pamela e Tommy Lee em streaming.

Perante a impossibilidade de reaver a cassete e de travar a sua difusão, Pamela e Tommy Lee chegaram a acordos extrajudiciais com pornógrafos como Warshavsky. Mas, e porque o fenómeno da pornografia online ainda era subestimado, o casal pouco lucrou quando considerados os milhões de dólares feitos por pequenos empreendedores online.

Mas a cassete teria um efeito positivo, sobretudo para Tommy Lee. Como o próprio Gauthier afirma, e devido aos seus invulgares dotes anatómicos, o filme fez muito pela notoriedade do então bad boy do heavy metal, que hoje é mais recordado por este vídeo de sexo do que pela música.

Gauthier assume também que o tiro saiu da culatra pelo facto do vídeo humanizar Pamela e Tommy Lee. “Era querido. Eram um casal apaixonado a divertir-se apenas, e achava aquilo óptimo. Tenho inveja. Quem me dera ter algo assim”, diz à Rolling Stone.

Este involuntário golpe de marketing faria escola. Quase 20 anos depois, vídeos de sexo divulgados na internet deram ao mundo ‘personalidades’ como Kim Kardashian e Paris Hilton, que de outro modo seriam ilustres desconhecidas. Em alguns casos, as imagens são roubadas. Noutros, talvez na maioria, os filmes são propositadamente divulgados. Porque funciona.

(Crédito da imagem: Everett Collection / Shutterstock.com)