Internacional

Demitiu-se por ser condenado e foi reeleito a cumprir a pena

Joseph Morrissey era só mais um nome na longa lista de políticos norte-americanos com a carreira arruinada devido a um escândalo sexual. Mas, depois de se confessar culpado de manter uma relação sexual com a secretária menor de idade (17 anos), Morrissey surpreendeu esta semana ao vencer as eleições convocadas para preencher o seu lugar na Câmara dos Representantes do Estado da Virgínia.

O caso com a secretária foi revelado pelas suspeitas do pai da jovem e chegou rapidamente às autoridades, já munidas de uma foto da jovem nua no telemóvel do congressista. O facto de a menor estar grávida – apesar de não ter confirmado a identidade do pai da criança – foi aumentando a dimensão do escândalo, que deixou a política estadual para ser falado por todo o país.

O escândalo levou o Partido Democrata a bloquear a candidatura de Morrisey, seu representante naquela assembleia desde 2007. Não desistiu, candidatou-se como independente, foi alvo dos rivais democratas e republicanos, mas foi reeleito na noite desta terça-feira em Richmond, Virgínia.

O feito de Morrissey torna-se ainda mais insólito devido ao facto de ele estar a cumprir os seis meses de prisão a que foi condenado. O político de 51 anos aproveitou as 12 horas de trabalho diário que o sistema prisional prevê para alguns dos condenados para ir para as ruas fazer campanha antes de voltar para o centro de detenção e dormir atrás das grades.

Em declarações à Fox News, Morrissey diz que os eleitores não estão interessados no drama mas sim no seu "trabalho" na Assembleia. "Ninguém trabalha mais duro pelos constituintes do que eu", garante o candidato independente, que segundo dados ainda não oficiais recolheu o apoio de 42% dos eleitores, contra os 33% do democrata Kevin J. Sullivane os 24% do republicano Matt D. Walton.

nuno.e.lima@sol.pt