Internacional

Schauble ‘muito céptico’ quanto a acordo com Grécia

O ministro das Finanças alemão mostrou-se hoje "muito céptico" sobre a possibilidade de chegar a acordo com a Grécia na reunião do Eurogrupo e lamentou que os gregos tenham elegido um governo "que se comporta de maneira irresponsável".

"Sinto muito pelos gregos. Elegeram um governo que de momento se comporta de maneira bastante irresponsável", disse Wolfgang Schauble em declarações a uma rádio alemã.

Segundo Schauble, a Grécia estava no bom caminho para resolver a crise até que chegou o novo governo presidido por Alexis Tsipras.

O ministro alemão insistiu que, para receber ajuda dos outros países da zona euro, a Grécia tem que mostrar como no futuro vai assegurar os meios suficientes para financiar as suas próprias pretensões.

De momento, segundo Schauble, não há nada que indique que o Governo de Tsipras vai apresentar uma proposta.

Os ministros das Finanças da zona euro reúnem-se hoje em Bruxelas, num encontro decisivo para a Grécia e os parceiros europeus tentarem chegar a um acordo sobre o programa de assistência a Atenas, que expira no final do mês.

Este encontro do Eurogrupo, o segundo no espaço de seis dias - depois da reunião extraordinária da passada quarta-feira que serviu para o novo ministro grego, Yanis Varoufakis, apresentar as ideias do recém-formado Governo aos seus homólogos da zona euro -, discutirá também a pretensão de Portugal de reembolsar antecipadamente parte do empréstimo contraído junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), no quadro do seu programa de assistência.

As atenções estarão, no entanto, centradas no caso grego. A reunião é aguardada com muita expectativa, depois de o anterior encontro do Eurogrupo e de a cimeira de líderes da última quinta-feira terem servido essencialmente para Varoufakis e o novo primeiro-ministro, Alexis Tsipras, apresentarem as posições, rejeitando o programa com a 'troika' ainda em curso.

As autoridades gregas aceitaram no final da passada semana discutir questões técnicas com as instituições que compõem a 'troika' (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), trabalho que prosseguiu ao longo do fim de semana.

Hoje haverá então finalmente lugar a negociações políticas com vista a alcançar uma solução satisfatória para Atenas e para os restantes 18 Estados-membros do euro, o que não se afigura fácil.

Atenas pretende um acordo de transição para um novo programa, comprometendo-se com reformas distintas das exigidas pela 'troika', e reclama uma renegociação do pagamento da dívida, mas, do outro lado, vários Estados-membros, com a Alemanha à cabeça, têm-se mostrado inflexíveis quanto à necessidade de a Grécia respeitar os compromissos assumidos anteriormente.

Um acordo é urgente, em virtude de o actual programa de resgate à Grécia expirar a 28 de Fevereiro, e o país não estar ainda em condições de regressar de forma autónoma ao financiamento nos mercados.

Lusa/SOL