Economia

OPA: Caixabank reafirma que quer manter BPI com identidade própria

O administrador executivo do Caixabank, Gonzalo Gortazar, reafirmou hoje que o banco catalão pretende que o BPI se mantenha como marca própria, cotado em bolsa em Lisboa, caso a OPA que lançou sobre o banco português avance com êxito.

"Já dissemos que a nossa intenção é que o BPI se mantenha como um banco em bolsa em Portugal e que desenvolvamos sinergias, mas que o BPI tenha a sua própria identidade", disse o responsável do banco catalão, dono de 44,1% da instituição financeira portuguesa.

Gortazar - que falava na sessão de apresentação do plano estratégico do Caixabank para 2015-2018 - deixou também uma mensagem de confiança à equipa de gestão do BPI, liderada por Fernando Ulrich.

"Não posso deixar de repetir uma mensagem de confiança na actual gestão do BPI. Queremos que no futuro siga assim, com o apoio do Caixabank no desenvolvimento de sinergias. Mas com identidade própria e acções separadas na bolsa Euronext de Lisboa", afirmou.

Quantos aos planos de internacionalização do Caixabank, o presidente do banco catalão, Isidre Fainé, confirmou que a OPA sobre o restante capital do BPI é o único projecto "concreto" que tem em cima da mesa.

"De momento, o que temos em cima da mesa é Portugal, com este processo (a intenção de lançar uma OPA sobre o resto do capital do BPI) e depois logo lidaremos com os que se seguirem. Mas de momento não temos mais nada em concreto", disse.

Fainé também reforçou a ideia de que o primeiro passo do Caixabank é avançar para o controlo do BPI, algo que é independente de um interesse - já assumido - pelo Novo Banco, a parte boa do antigo Banco Espírito Santo.

"Pode ser que se avançar a OPA sobre o BPI, estudemos o Novo Banco, mas isso é uma possibilidade que existe, tal como existe a possibilidade de não o estudar", disse o presidente do Caixabank.

Ainda assim, salientou, as decisões do banco catalão terão em conta os melhores interesses do BPI.

"O que está claro é que queremos o melhor para o BPI. As decisões que saiam do conselho de administração seguem esta linha: se é bom para o BPI então estamos a seu lado", realçou Isidre Fainé.

No dia 17 de Fevereiro o Caixabank anunciou a intenção de lançar uma OPA sobre os 55,9% do capital do BPI que ainda não detém, mas enumerando duas condições: conseguir pelo menos 50,01% do banco português e obter o desbloqueio dos direitos de voto no BPI, que lhe estão limitados a 20%. 

Ou seja, o banco catalão ofereceu 1,329 euros por cada acção do BPI para obter pelo menos mais 5,9% do capital do banco português, mas tem de conseguir três quartos dos votos (75%), numa futura assembleia-geral de accionistas do BPI, a favor da desblindagem dos estatutos. Nessa votação, o Caixabank ainda votará com 20% dos votos. 

Lusa/SOL