Sociedade

Arguido confessa homicídio há oito anos

O homem que começou hoje a ser julgado no Tribunal de Vila Real por ter matado um empresário há oito anos, em Montalegre, e depois fugido até ser detido na véspera de Natal, confessou o crime e mostrou-se arrependido.

João Morais Pereira, de 66 anos, chegou a tribunal acusado de um crime de homicídio qualificado ocorrido em Abril de 2007.

O arguido é suspeito de ter matado com dois tiros de caçadeira um empresário, junto a um bar de alterne em Solveira, concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, colocando-se depois em fuga até ter sido detido a 24 de Dezembro, dia de Consoada, em Chaves, numa operação montada pela Unidade Local de Investigação Criminal da PJ de Vila Real.

Ao colectivo de juízes, João Morais Pereira confessou o crime e afirmou estar "muito repeso, muito repeso".

Contou ainda que ele e a vítima se envolveram, na tarde do crime, numa luta que começou num restaurante da cidade de Chaves e acabou depois na rua, onde foram separados. Em resultado dessa briga, disse ter ficado "com os dentes todos partidos" e a sangrar da boca, nariz e ouvidos.

Depois, referiu ainda que a vítima ameaçou a sua família, uma situação que o deixou "descontrolado".

Mais tarde, esperou pelo empresário à porta do bar de alterne e quando este chegou e dirigiu-se ao seu encontro, já com a caçadeira na mão e a dizer que queria falar.

Foi nesse momento que, segundo acrescentou, a vítima terá feito o movimento de ir buscar uma arma ao carro e, por isso, disse que disparou a cerca de "quatro cinco metros de distância".

Referiu ainda que apenas se lembra de ter disparado uma vez. Depois disso foi para França, de onde regressou no verão desse ano e afirmou ter estado, desde então, na sua casa.

Uma testemunha ouvida esta tarde em tribunal disse que, nessa noite, uma mulher que também trabalhava no bar entrou no estabelecimento a gritar "foi o Mentiras, foi o Mentiras", a alcunha pela qual o arguido é conhecido.

Essa testemunha contou que foi dos primeiros a chegar ao local do crime e que encontrou a vítima com muito sangue e que não se recorda de ter visto qualquer arma no local.

Lusa/SOL