Desporto

‘Leão’ volta a rugir no hóquei

Dois anos depois de o Sporting ter relançando o hóquei em patins no clube através dos escalões de formação, “razões de gestão e ordem financeira” levaram o presidente Dias da Cunha a encerrar a secção em 2005. Gilberto Borges, então dirigente da modalidade, e um grupo de pais acreditaram no futuro dos 24 miúdos que patinavam nos três escalões criados (escolares, benjamins e infantis) e decidiram tomar conta do hóquei leonino de forma autónoma. O objectivo era devolver aos ‘leões’ no futuro “a glória da década de 70, 80 e 90 e municiar as selecções mais jovens”.

Da extinção ao regresso à ribalta passaram dez anos, já que o Sporting conquistou no domingo a Taça CERS – a segunda prova europeia mais importante, equivalente à Liga Europa no futebol –, após bater primeiro os espanhóis do Igualada (3-2), anfitriões da final four, e depois o Réus na discussão do título (2-1 nas grandes penalidades, após um empate a dois golos no prolongamento).

Uma conquista inesperada que põe fim a 24 anos de jejum de glórias europeias, que incluem triunfos na Taça dos Campeões (1977), Taça das Taças (1981, 1985 e 1991) e Taça CERS (1984).

“Para o Sporting isto é repetir a história da modalidade de pavilhão mais importante do clube”, salienta ao SOL Gilberto Borges, hoje director da secção de hóquei e visto por muitos como o obreiro do sucesso.

Não é caso para menos. Desde 2010, quando o clube voltou a ter equipa sénior, o Sporting só precisou de quatro anos para subir à primeira divisão, sagrando-se pelo caminho campeão do terceiro e segundo escalões. E no regresso à elite, na época passada, garantiu logo um lugar nas provas europeias. Este ano o objectivo é terminar nos quatro primeiros – o Sporting segue em quinto, a um ponto da Oliveirense a dois jogos do fim.

Recepção à moda do futebol

À espera da equipa treinada por Nuno Lopes, no aeroporto em Lisboa, estavam centenas de adeptos, que surpreenderam os jogadores.

“Eu estava atónito, completamente em êxtase quando vi aquela gente toda. Nós só esperamos ver imagens daquelas no futebol. Nunca vou esquecer”, diz ao SOL Ricardo Figueira, que já tinha deixado o hóquei há mais de um ano quando Gilberto Borges o convenceu a voltar à modalidade, em 2012.

Aos 33 anos, o capitão do Sporting, oito vezes campeão nacional pelo FCPorto e campeão do mundo por Portugal em 2003, tem a particularidade de ser o médico da equipa leonina. “As duas profissões acompanham-me há muitos anos e implicam um grande sacrifício na minha vida pessoal. Deve haver pouca gente a conciliar isto tudo, mas é uma coisa que quero muito”, sublinha o hoquista, que pela primeira vez conquistou a Taça CERS.

hugo.alegre@sol.pt