Internacional

Reino Unido: Conservadores vencem na noite escocesa

As sondagens que antecederam a votação não deixavam arriscar o nome do próximo primeiro-ministro. A projecção que se seguiu ao fecho das urnas, às 22h, tirava surpreendentemente as dúvidas, colocando os conservadores com 316 deputados. Cinco horas depois, já se punha a hipótese de David Cameron conquistar uma maioria absoluta que o seu partido não alcança desde 1992. A noite eleitoral no SOL:

04h15: O SOL termina aqui o início da cobertura ao rescaldo eleitoral britânico. Da invasão escocesa a Londres ao reforço da legitimidade do primeiro-ministro, passando pelas dúvidas que pairam sobre o destino imediato de Ed Miliband e Nick Clegg: a manhã de rescaldo eleitoral promete.

04:12: São os liberais democratas as principais vítimas das poucas conquistas trabalhistas nesta noite eleitoral. Quando Ed Miliband enfrentou ela primeira vez as câmaras, à saída de casa, a primeira pergunta que ouviu foi sobre a sua possível demissão. Não respondeu.

03:22: A SKy News está a citar uma fonte anónima do Partido Trabalhista a projectar que "Ed Miliband não dura até à hora de almoço". 

03:06: Mais resultados vão aparecendo. Destaque para as derrotas trabalhistas em todas as tentativas de roubar representantes aos conservadores, ao mesmo tempo que vão somando perdas a Norte. O SNP soma por vitórias todos os resultados anunciados na Escócia. O último, em Renfrewshire East, representa também a derrota de Jim Murphy, o líder do Partido Trabalhista Escocês.

02:54: Cameron recusou falar aos jornalistas já na assembleia de voto, onde só se esperam resultados depois das 4h30.

02:25: David Cameron está a chegar ao local onde serão anunciados os resultados do seu círculo eleitoral. Deve discursar depois de saber que ganhou.

02:14: Anunciada as primeiras vitórias do terramoto SNP. E o crescimento de 30% em Kilmarnock & Loudoun confirma o anunciado na sondagem. Sturgeon já fala numa “noite extremamente boa”, avança a BBC. O Labour pode passar de força dominante, estatuto que manteve ao longo de muitas décadas, a zero deputados numa só votação. Seis meses depois de os mesmos escoceses terem rejeitado o sonho do SNP – a Independência. 

02:10: A escocesa Nicola Sturgeon é a primeira líder partidária a aparecer, na sede do partido em Glasgow. Espera-se que fale dentro de minutos.

02:04John Curtice, o tal que realizou a sondagem anunciada na BBC, Sky News e ITV, confirma que os resultados já anunciados são ainda melhores para os conservadores. Chegará Cameron à maioria absoluta que o seu partido não alcança desde 1992?

 

 

01:58: Os primeiros dados apontam também para uma queda na participação, para já a rondar os 4%. Outra surpresa, tendo em conta a imprevisibilidade anunciada durante toda a campanha.

01:54: O porta-voz de Nick Clegg reconhece que este está "desiludido" com a "noite má", avança a BBC.

01:52: O UKIP tem registado uma subida de 10% em relação a 2010, nos resultados já anunciados. Mas a projecção prevê que passe de zero para apenas 2 deputados. Os Verdes levam menos 2.500 votos do que os liberais nos votos já contados, mas não tem garantida a eleição de nenhum deputado enquanto o pior cenário dos liberais aponta para os 10. Com um sistema assim, é normal que existam campanhas a pedir a Representação Proporcional (PR).

 

 

01:46: Os resultados vão surgindo agora com uma regularidade ligeiramente maior. O Labour continua a liderar, agora com 8 deputados, mas as suas vitórias estão mais magras do que o previsto até na projecção das 22h. Já se começa a falar numa maioria absoluta de David Cameron, embora não haja dados que o garantam.

01:37: Na BBC, um candidato liberal democrata prevê uma nova votação antes do Natal, o que parece um sinal de que a repetição da coligação não está assim tão garantida. Steve Beasant diz também que Nick Clegg poderá não continuar a liderar o partido caso falhe a sua reeleição em Sheffield.

01:26: A Sky News debate a ironia do sistema eleitoral transformar uma noite de sonho do UKIP num pesadelo para o seu líder e mentor, Nigel Farage. A mais polémica personagem da política britânica prometeu demitir-se da liderança se voltasse a falhar a sua eleição como deputado. E tudo indica que não vencerá em South Thanet.

01:10: Os primeiros resultados da noite revelam que o Partido pela Independência do Reino Unido (UKIP) é quem mais sobe em relação a 2010, exactamente na medida da queda liberal.

 

 

00h51: Dois novos resultados e os conservadores garantiram as suas primeiras vitórias, em Swindon North e Putney, Londres. O May2015.com, site de sondagens de dedicado a esta eleição, avança que o resultado de Swindon é um sinal a favor da projecção que dá larga vantagem aos Tories. As sondagens anteriores à votação, que unanimamente previam um maior equilíbrio, previam apenas uma vitória de 5% e os Tories acabaram com um avanço de 12%.

 

 

00h22: Mais de duas horas após o fecho das urnas apenas três resultados foram anunciados entre os 650 esperados. Esperam-se novidades para os próximos minutos mas o cepticismo demonstrado em torno da projecção anunciada só deve começar a diminuir (ou intensificar) depois das 4h.

23h46: Lembra-se das apostas da Betfair? Veja a entrada das 21h36. A esta hora a Betfair alterou ‘ligeiramente’ a sua oferta: Se lhes der um euro a garantir que David Cameron continuará como primeiro-ministro, eles vão devolvê-lo acompanhado de 16 cêntimos se o cenário se confirmar. Se continua com fé no regresso dos trabalhistas eles são mais generosos – o lucro será de 5,80 euros por cada euro investido.

23h32: A Sky News cita uma fonte próxima de Cameron que diz que o primeiro-ministro está “calmamente satisfeito” com a sondagem.

23h30: Novo deputado para o Labour, em Washington & Sunderland West. As vitórias já eram esperadas mas as margens fazem duvidar da sondagem anunciada: o Labour volta a somar mais de 20 mil votos onde os conservadores não chegam aos 10 mil.

23:26: Todos os dirigentes partidários entrevistados na TV ou citados nos jornais mostram muitas cautelas em relação à sondagem de boca de urna, incluindo vencedores como os Tories ou o SNP. Os trabalhistas insistem em esperar pelos resultados mas já vão dizendo que uma coligação que passa de uma maioria de 73 deputados para apenas um não pode cantar vitória. 

23:17: Dois resultados oficiais, dois deputados trabalhistas. Já o eram na última legislatura e não aumentam as esperanças de Miliband. 

23:15: O líder do UKIP, Nigel Farage, dz que o triunfo dos Tories se deve a ele.

 

A conclusão deve-se ao sistema eleitoral: os novos eleitores do UKIP, que poderá chegar aos 4 milhões de votos, estão a tornar mais fáceis as vitórias dos conservadores. O país está dividido em 650 círculos eleitorais e cada um deles elege apenas um deputado - o do partido que vencer, nem que seja por um voto.

23:11: Curiosamente, o Times não se mostra tão aborrecido.

 

 

23:08: Como é habitual, a imprensa britânica não esconde as suas preferências partidárias. Eis a capa do Daily Mirror de amanhã, via BBC.

 

;

 

23:01: O primeiro resultado final é a primeira boa notícia para o Labour: manteve o deputado em Houghton & Sunderland South, distrito onde os Conservadores foram castigados e perderam a segunda posição para o UKIP. Os liberais não chegaram aos mil votos onde os trabalhistas venceram com 21 mil.

A má notícia para os apoiantes de Miliband é que esta vitória estava prevista na sondagem apresentada. John Curtice, o responsável pela sondagem anunciada na BBC, Sky News e ITV garante que sim e mantém a aposta nos 58 deputados do SNP entre os 59 eleitos na Escócia.

22h38: O gráfico da sondagem via tweet da BBC.

 

;

 

22h35: Em directo na Sky News, a presidente do Partido Liberal Democrata recusa-se a acreditar na sondagem à boca de urna. A Baronesa Sarah Brinton quer esperar para ver resultados e lembra que "ao contrário dos conservadores, fizemos campanha a prometer o fim da austeridade".

22h32: "Não temos um Governo a aumentar a sua maioria desde 1983", diz ao Guardian, em tom de celebração, o conservador Michael Gove.

22h28: A Sky News e o Guardian avançam que a libra já valorizou dois cêntimos face ao dólar desde que saíram as sondagens após o fecho das urnas.

22h25: Embora possa ter garantido a continuidade na vice liderança do Governo, Nick Clegg não deixa de ser outro dos derrotados. Os liberais ficarão reduzidos a uma dezena de deputados, quando na anterior legislatura tinham 57. E o colapso não é só em relação à última votação: nunca na sua história moderna o partido teve menos de 20 deputados.

22h19: Nem Nicola Sturgeon quer acreditar em tamanho êxito do SNP.

 

;

 

22h15: Seja qual for a margem de erro das sondagens, Ed Miliband consolida desde já a posição de grande derrotado da noite. Os números indicam uma perda de 19 deputados em relação ao resultado de Gordon Brown em 2010. E este partiu para a campanha quando o partido tinha o desgaste de 13 anos de poder.

22h11: Os responsáveis pelas sondagens anteriores à votação não escondem a surpresa.

 

;

 

22h10: Apesar da queda dos liberais, a sua dezena de sobreviventes serão o suficiente para manter a actual maioria, caso se confirmem os 316 deputados tories.

22h00: O fecho das urnas dá vantagem para os Conservadores!

Sondagem Sky News:

Conservadores: 316 deputados

Trabalhistas: 239

SNP (nacionalistas escoceses): 58

Liberais Democratas: 10

UKIP (eurocépticos): 2

Maioria: 326 deputados

Destaque para o SNP. Na Escócia, única região onde vai a votos, elegem-se 59 deputados. 

21h50: Qual dia de reflexão? a 10 minutos do fecho das urnas ainda se fazem apelos ao voto.

 

;

 

21h36: Nem as casas de aposta ajudam a dar uma pista: na Betfair, apostar que Miliband será o próximo PM dá 98 cêntimos de lucro por cada euro investido, caso o trabalhista vá mesmo para a chefia do Governo, obviamente. O mesmo cenário com David Cameron dá um retorno de um euro e dois cêntimos, ou seja, 102 cêntimos.

Ligeira vantagem para Miliband? Por muito ligeira que seja, é o que significam os números. Mas para ter uma ideia da confusão esperada basta reparar que se a aposta for no partido que elegerá mais deputados o lucro é bem maior para quem arrisca nos trabalhistas: 4,2 euros de lucro por cada euro apostado, enquanto a aposta num Partido Conservador com a maior representação dá apenas um retorno de 23 cêntimos.

Confuso? Os cálculos da Betfair prevêem, tal como muitos analistas britânicos, que apesar de provavelmente vir a manter o estatuto de mais votado, o Partido Conservador não terá hipóteses de formar uma maioria com os liberais-democratas de Nick Clegg, o vice primeiro-ministro dos últimos cinco anos.

Mesmo tendo menos deputados, Miliband poderá chegar ao Governo devido a uma coligação anti-conservadores. Mas não pense que será fácil, pois a hipótese mais simples – os nacionalistas escoceses do SNP, que prometem arrebatar a larga maioria dos 59 deputados eleitos no seu país – já foi descartada por Miliband (embora seja esse mesmo o cenário mais provável, mas isso fica para mais tarde).     

21h20: Menos de uma hora para fecharem as urnas no Reino Unido e, afinal, quem tem mais hipóteses de ganhar? Os conservadores consolidaram uma ligeira vantagem sobre o Labour nas sondagens das últimas semanas mas a margem, que chegou a rondar os 5%, encolheu nas vésperas da votação. O Guardian hoje colocava Ed Miliband à frente por 1%, enquanto a Ipsos-Mori diminuía a vantagem de Cameron de 6% para 1%. Para (não desempatar), o inquérito de Lorde Ashcroft deu 33% para ambos.

18h30: A formação de coligações, que se adivinha bem mais complicada do que em 2010, pode levar semanas e nem o cenário de nova votação escapa na extensa lista de interrogações da imprensa britânica. Irá Ed Miliband liderar um Governo trabalhista que se tornará refém do nacionalismo escocês, como alertam os conservadores? Ou David Cameron aguenta-se no número 10 de Downing Street graças aos unionistas da Irlanda do Norte?

São alguns dos cenários que eram impensáveis há bem pouco tempo e que agora estão na mesa do jogo pós-eleitoral. Com o fecho das urnas agendado para as 22h (o horário de Londres é o mesmo de Portugal Continental), será também a essa hora que serão divulgadas as primeiras sondagens à boca da urna.

Mas num ano em que um deputado a mais ou a menos pode decidir quem forma o Governo é possível que as primeiras certezas só surjam já durante a madrugada.

Em 2010, a esmagadora maioria dos 650 círculos eleitorais só anunciou resultados muito para lá das 4h da madrugada e nove deles só os revelaram depois das 15h do dia seguinte.

O SOL acompanhará toda a noite eleitoral aqui, a partir das 21h30.