Economia

Dielmar: Exportar a arte dos alfaiates

A Dielmar vai explorar um novo conceito de lojas, em que os artesãos asseguram um contacto directo com os clientes. Estar sediada no interior do país não a impede de vestir o príncipe do Mónaco, Ronaldo e outros futebolistas na Europa.

A loja da Dielmar do centro comercial Amoreiras, em Lisboa, será o primeiro espaço da marca portuguesa em que o alfaiate assumirá um papel principal dentro do estabelecimento. Deixará de estar apenas nos bastidores e terá um protagonismo maior, com um contacto permanente com o cliente.

Será também esse o conceito a ser aplicado no estrangeiro, onde a empresa sediada em Alcains, no concelho de Castelo Branco, deve abrir a primeira loja em 2016, em regime de parceria. A Noruega é uma probabilidade forte para mais um passo na internacionalização da marca, que nasceu há precisamente 50 anos.

«Será como quando deixamos o filho pequeno no infantário: precisamos de um parceiro que saiba trabalhar e que se apaixone pelo produto», frisa ao SOL a presidente executiva da empresa, Ana Paula Rafael.

Além da Noruega, há outros três países em estudo para a primeira aposta, que replicará o modelo testado em Portugal – primeiro nas Amoreiras e depois no NorteShopping, em Matosinhos, num investimento estimado de 800 mil euros nos próximos dois anos. «Já temos o alfaiate nas lojas, mas queremos que passe a olhar o cliente olhos nos olhos. A alfaiataria é uma tradição muito portuguesa e uma verdadeira arte, que tem grandes raízes em Alcains», explica a filha mais velha de Hélder Rafael, presidente do Conselho de Administração.

A Dielmar – cujo nome tem origem nos quatro fundadores, os alfaiates Dias, Hélder, Mateus e Ramiro – orgulha-se precisamente das suas raízes familiares: a costureira mais antiga tem 50 anos de casa e a rotatividade nos funcionários é quase nula. A empresa, que opera num segmento médio-alto, proclama-se líder nacional na confecção de vestuário masculino. «O segredo é aliar a tradição ao conforto e à modernidade nas colecções. O nosso primeiro lema é um bom molde, é esse o nosso instrumento de combate e competitividade. Depois temos de incorporar bons materiais», sublinha a administradora. A estratégia delineada para os próximos anos põe em evidência os detalhes e o rigor da alfaiataria, que serão factores ainda mais diferenciadores no estrangeiro.

Clientes famosos

Durante décadas, a Dielmar não teve marca própria, colocando nas peças a etiqueta do cliente, nacional ou estrangeiro. Essa prática ainda hoje se mantém – a empresa não revela o nome das marcas internacionais para as quais trabalha –, mas na viragem para um novo século a administração soube antever a crise do têxtil. Apostou no valor acrescentado de uma marca própria, criou uma rede de lojas que compensou o declínio dos pequenos retalhistas e acompanhou a proliferação dos centros comerciais. «Foi um percurso paralelo, muito penoso», explica Ana Paula Rafael. É esse processo que pretende agora replicar externamente. Primeiro, a Dielmar deu-se a conhecer em lojas multimarca em cerca de 30 mercados, angariando mais de 300 clientes. Agora quer construir a sua própria rede comercial.

A notoriedade no estrangeiro é essencial para o sucesso, pelo que têm sido feitas apostas «cirúrgicas», como a parceria com a Federação Portuguesa de Futebol, que permite vestir Cristiano Ronaldo e outros craques. Em 2015/16, a empresa irá fornecer os espanhóis do Sevilha, vencedor da Liga Europa, e concorrer com grandes marcas multinacionais para vestir os futebolistas do Arsenal. «Termos sido chamados a apresentar uma proposta já é uma conquista», ressalva Ana Paula Rafael, que diz «já ter perdido a conta» às personalidades que surgiram em público com fatos da marca. O príncipe do Mónaco, políticos na América Latina e cantores portugueses e espanhóis estão na lista, garante.