Cultura

Pintar para lá das diferenças

‘Três vezes sete’ é igual a vinte e um. Dois artistas e uma obra, mais sete pintas numa joaninha. A simbologia transporta-nos para o que é dócil e puro, num trabalho esculpido pelas mãos de Carolina Caetano Lourenço, uma criança portadora de Trissomia 21. ‘Três vezes sete’ é apenas uma das peças que integram a exposição ‘Pintar para lá dos Riscos’: “Uma prova que a arte também pode ser útil”, como explica Pedro Figueiredo, um dos artistas convidados a ajudar as crianças a realizar esta mostra.

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As obras, esculturas ou pinturas, abstractas ou figurativas, são o resultado da criatividade de 25 jovens com Trissomia 21. Um retrato do que existe para lá das diferenças num conjunto de trabalhos expostos na Galeria de São Mamede, em Lisboa. Desde ontem que é possível visitar esta exposição, uma iniciativa da Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 (APPT21) e que marca o início da semana de comemorações do seu 25.º aniversário.

‘Pintar para lá dos Riscos’, além de mostrar o trabalho que a associação realiza desde 1990, tem também uma forte componente solidária, com o objectivo de angariar fundos para ajudar famílias que não tenham capacidade de dar o apoio necessário a crianças portadoras de Trissomia 21. Até este momento já foram ajudadas, em média, 1.500 crianças, de acordo com os números fornecidos pela APPT21. Por seu lado, Maria João Silva, coordenadora desta exposição e mãe de uma das jovens artistas, inspira-se numa máxima de Woddy Allen para dizer que “90% do sucesso baseia-se apenas no acto de insistir”. E a insistência tem dado frutos. Através da promoção dos eventos que decorrem esta semana, a APPT21 já foi contactada para realizar uma parceria com o Brasil. E ainda há o desejo de alcançar mais países. Os sonhos não se esgotam para esta associação e a sua concretização “passará sempre pela valorização das diferenças”, como afirma Miguel Palha, fundador da APPT21. Esta exposição ‘Pintar para lá dos Riscos’ já é um sonho tornado realidade.

Além das pinturas e esculturas, também a escrita está em destaque nas comemorações das bodas de prata da associação. No dia 24 deste mês, cabe a Maria Calderón Pimentel apresentar a obra da sua autoria ‘Ainda bem que não Levei o Guarda-Chuva’, o primeiro livro escrito para crianças portadoras de Trissomia 21. A escritora fez um livro à medida destes jovens, com uma escrita mais simples e que transmite valores como a amizade, a solidariedade, o amor.