Cultura

Morreu a compositora e maestrina Elvira de Freitas

A compositora e maestrina Elvira de Freitas, de 88 anos, morreu hoje de manhã, em Lisboa, disse à Lusa o compositor Alexandre Delgado.

Segundo a mesma fonte, o velório de Elvira de Freitas, filha do compositor e maestro Frederico de Freitas, realiza-se hoje a partir da 18:30 na igreja dos Santos Reis Magos, ao Campo Grande, em Lisboa, onde, no domingo pelas 15:00 é celebrada missa de corpo presente, seguindo-se o funeral para o cemitério do Lumiar, em Lisboa.

Compositora, pianista e diretora de orquestra desde 1957, foi professora no liceu Camões, Conservatório Nacional e Instituto Gregoriano, em Lisboa.

"Elvira de Freitas foi autora de obras de música erudita de valor", disse Alexandre Delgado, que realçou o facto "de ter sido ao longo de toda a sua vida, uma acérrima defensora da obra do pai".

Elvira de Freitas compôs, entre outras, "Sonata para piano" (1951) "O Natal dos meus meninos", um poema radiofónico para narrador e orquestra, "A Herança" para canto, piano, oboé, trompeta e bateria, "As profecias do Bandarra", "Missa de requiem", estreada na celebração dos seus 50 anos de carreira, e "11 poemas de García Lorca", para voz, guitarra ou piano.

Aos 17 anos Elvira de Freitas matriculou-se no Conservatório Nacional, na classe do professor Varella Cid, tendo estudado composição com António Eduardo Costa Ferreira, que também já fora mestre do seu pai, e com Fernando Lopes-Graça, "e toda a vida com o pai", como disse numa entrevista à Lusa em 2002.

Como bolseira do Governo francês, em 1958, e da Fundação Gulbenkian, em 1959, aperfeiçoou os estudos de composição e harmonia com os compositores Nadia Boulanger e Olivier Messian, no Conservatório Superior de Música de Paris.

Em Portugal, obteve cinco primeiros prémios em composição, entre eles, em 1971, a "Missa de requiem", ex-aequo com o pai. A primeira vez que venceu um prémio de composição, tinha 28 anos, foi com a marcha do Bairro Alto, "Canta o Bairro Alto, Canta", o que lhe valeu o convite da então Emissora Nacional, para participar em programas mensais, para os quais teria de compor, harmonizar e dirigir a orquestra, como disse à Lusa em 2002.

Desses tempos e dos seus alunos no Camões, afirmou a compositora "guardar as melhores recordações". "Um trabalho às vezes extenuante e árduo, mas muito gratificante, como toda a minha vida musical", disse na ocasião.

Elvira de Freitas compôs para música ligeira, designadamente para fado, tendo colaborado com a poetisa Fernanda de Castro; desta parceria refira-se "Alguém mandou-me violetas", "Rua dos passos perdidos, "Amor é rosa brava", "Bateu-me à porta  tristeza", "O poeta" e "Se voltares algum dia", criações de Ada de Castro, que gravou também com música de Elvira de Freitas, "Mãos frias, coração quente", um poema de Augusto Gil.

Elvira de Freitas compôs também várias peças para crianças, entre elas, "A floresta encantada".

Lusa/SOL