Sociedade

Cuidados paliativos devem ser ‘prioridade’

Os dados não deixam margem para dúvidas: o número de portugueses a morrer nos hospitais não tem parado de crescer nos últimos 20 anos e vai continuar a disparar, apesar de a maioria dos doentes preferir acabar os seus dias em casa. Os resultados de um estudo feito por uma equipa de investigadores portugueses levam a presidente da Associação de Administradores Hospitalares (AAH) a defender a necessidade de rever com urgência a política de cuidados paliativos no país.

“Neste momento há uma tendência de hospitalização da morte: há falta de camas de cuidados paliativos, há poucas equipas de cuidados ao domicílio e não temos profissionais suficientes para fazer este apoio”, alerta Marta Temido, defendendo que uma maior aposta nestes cuidados na comunidade devia ser “uma prioridade do Estado”.

As estimativas feitos por investigadores portugueses do King’s College de Londres e do Centro de Estudos de Investigação da Universidade de Coimbra, financiados pela Fundação Gulbekian, revelam que dentro de 15 anos três em cada quatro pessoas no país morrerão nos hospitais. Hoje já 64% terminam os seus dias nas unidades de saúde.

“A longo prazo está em risco a própria sustentabilidade do sistema de saúde”, alerta a autora principal do estudo Vera Paiva Sarmento, lembrando que Portugal é um dos países mais envelhecidos do mundo e que neste momento a acção do Governo tem estado centrada em camas nas unidades de cuidados paliativos, que são claramente insuficientes para as necessidades: “Deve haver uma aposta concertada nos cuidados paliativos na comunidade”.