Desporto

Um clássico multinacional, do México aos Camarões

Se, por absurdo, Julen Lopetegui e Rui Vitória privilegiassem a diversidade de nacionalidades na hora de escolherem a equipa titular, o FC Porto-Benfica de domingo teria em campo jogadores nascidos em 16 países de três continentes.

O futebol tornou-se nos últimos anos um dos veículos da globalização e a origem dos futebolistas faz de cada balneário, nos dias que correm, uma espécie de sociedade das nações: nos dragões coabitam 11 nacionalidades, com predominância do continente americano, ao passo que nas águias prevalecem as europeias, num total de 10.

No primeiro ouvem-se palavras em português, castelhano e francês - e holandês se Bruno Martins Indi decidir falar com os seus botões. E no segundo comunica-se em grego, sérvio, francês e castelhano, além do português. Também podem surgir vestígios de italiano, sueco ou holandês se Cristante, Lindelof e Bilal Ould-Chikh quiserem exercitar as línguas maternas.

Por norma, é ao inglês que os treinadores recorrem para dar instruções aos estrangeiros e não raras vezes são os próprios colegas de equipa a ajudar na tradução, quando é necessária. Há sempre forma de passar as ideias, nem que seja por gestos. Perante as dificuldades de comunicação, é muito comum os treinadores dizerem que a linguagem do futebol é universal.

O talento está acima desses obstáculos na hora de contratar. E as oportunidades de negócio levam os clubes aos quatro cantos do mundo para se reforçarem, o que explica a miscelânea de nações que hoje caracteriza as equipas. Os brasileiros Helton, Maicon e Evandro, o uruguaio Maxi Pereira, o chileno Lichnovsky, o argentino Pablo Osvaldo e os mexicanos Gudiño, Layún, Herrera e Corona formam o contingente americano do FC Porto. Já a armada europeia do Benfica, além dos portugueses, é constituída pelos gregos Samaris e Mitroglou, os sérvios Fejsa e Djuricic, e ainda os já referidos Cristante, Lindelof e Bilal Ould-Chikh.

Portugueses em minoria

A diversidade também se estende a África - ficam de fora a Ásia e a Oceânia. Em cada plantel moram dois jogadores com raízes no continente negro: o camaronês Aboubakar e o argelino Brahimi são os representantes do lado do FC Porto, enquanto o Benfica apresenta os marroquinos Carcela e Taarabt.

Como passou a ser norma em tempos recentes, os portugueses estão em clara minoria em relação aos estrangeiros em ambos os clubes - 6 em 26 nos azuis e bancos e 9 em 29 no plantel dos encarnados - e só não estão mais porque o emblema da Luz conta esta época com um quarteto oriundo das camadas jovens: Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Nuno Santos e João Teixeira.

O primeiro é o único, entre os 15 que podem ser chamados à Seleção nacional, com lugar garantido nos titulares do clássico: o jovem lateral de 21 anos agarrou a oportunidade no lado direito da defesa benfiquista e assume-se como o principal símbolo da nova aposta do clube no setor da formação.

Gonçalo Guedes e Pizzi, nos encarnados, e Danilo, Rúben Neves e André André, nos azuis e brancos, são os outros candidatos a integrar os onzes iniciais no Estádio do Dragão.

rui.antunes@sol.pt