Cultura

Eu vi um sapo, outra vez

Primeiro, foi a notícia do divórcio, o fim de uma união com quase quatro décadas entre Cocas e Miss Piggy, para surpresa da cultura popular, que jamais pensou que não celebrassem as bodas de ouro. Mais tarde, a confirmação de que o ex-casal ia trabalhar junto, o que poderá não ser o melhor medicamento para relações desfeitas. Como não bastasse, a marioneta verde não perdeu tempo, e em menos de nada apresentava ao mundo a sua nova namorada, Denise, uma ruiva mais jovem e mais esbelta que a sua anterior companheira, responsável pelo departamento de marketing. Mas pouco importam eventuais dores de cabeça - ou mesmo estudos sociológicos sobre esta troca. A verdade é que o show d’Os Marretas, uma das sagas mais famosas dos anos 70 anunciava o seu regresso aos ecrãs, com o desafio de peso de retomar um lugar onde uma vasta geração de espetadores já foi muito feliz.

Este domingo, cinco dias depois da estreia nos EUA, as personagens criadas por Jim Henson (1936-1990) desfilam pelo canal TV Séries, agora num formato que encontra boa parte da inspiração na saga O Escritório, com pequenas entrevistas pelo meio, e referências contemporâneas como as redes sociais. O estilo mock-documentary, ou mockumentary, sobrepõe-se assim ao espetáculo de variedades.

O enredo está ancorado num talk show em horário late night conduzido por Miss Piggy, ‘Up Late with Miss Piggy’. Kermit, ou Cocas, é o produtor executivo de serviço, numa leva de episódios que, a julgar pela produtora ABC, será uma versão mais adulta d’Os Marretas, dirigida a ‘crianças’ de todas as faixas etárias, a começar possivelmente pelos outrora miúdos, hoje graúdos, e no papel de pais. A ele juntam-se históricos como Gonzo ou Fozzie.

Se o filme de 2011 não encheu as medidas, a verdade é que as expetativas sobre a nova série, elevadas, poderão não ser totalmente satisfeitas ou, pelo contrário, serem até superadas. Em todo o caso, é preferível fintar as opiniões dos críticos norte-americanos sobre o episódio piloto e partir para o visionamento sem ideias feitas.

Bill Prady, o mesmo de A Teoria do Big Bang, que deu os primeiros passos da sua carreira em Os Marretas; e Bob Kushell, guionista de séries como Os Simpsons e Terceiro Calhau a Contar do Sol, lideram a produção e escrita do programa, respetivamente, enquanto as gravações decorrem nos estúdios da Disney, em Los Angeles. 

Steve Whitmire, (a fazer de Cocas),  Eric Jacobson, Dave Goelz, Bill Barretta, David Rudman, e Matt Vogel são as vozes responsáveis por dar vida ao elenco de bonecos, lançado em 1976, e com presença no ecrã até 1981. Corria a década de 90 quando as doses de paródia e de absurdo, além dos convidados de carne e osso a cada programa, ensaiaram nova aparição nas televisões, desta feita sem a expressão de outros tempos. Mas poucos ou nenhuns terão esquecido as aventuras, que incluiam cientistas, zeladores, cozinheiros suecos, ursos aprendizes de comediantes, monstros comilões, casais de cantores e, claro, a dupla Statler e Waldorf, os velhotes mais famosos do universo da animação.

maria.r.silva@sol.pt