Opiniao

Paris, 13.11

A tragédia que se abateu na passada sexta-feira, dia 13, sobre Paris, foi tão fulminante quanto chocante. Em menos de uma hora, os atentados perpetrados ao serviço da organização terrorista Daesh vitimaram mortalmente 129 pessoas e feriram mais de 300. Não se assistia a um ataque tão brutal, na Europa, desde o 11 de Março, em Madrid. Foi o primeiro grande atentado reivindicado pelo Daesh no espaço europeu e fora do Médio Oriente. Até ao momento, a sua atuação estava circunscrita à vizinhança sul da Europa. Estes atos revelam não só a crueldade dos seus métodos totalitários como também a sua capacidade de mobilização. 

 

Apesar da reivindicação e usurpação de bandeiras religiosas, o terrorismo jihadista encara todos aqueles que não seguem os seus ditames como alvo de matança indiscriminada, independentemente das suas crenças. Esta forma de terrorismo não é uma ameaça inédita, continua a traduzir-se no recurso sistemático à violência para fins essencialmente políticos, provocando sentimentos de medo e insegurança, instaurando um inevitável clima de terror nas populações, e tentando semear o ódio entre o Ocidente e o Islão. 

Nesse sentido, representando o terrorismo uma ameaça ao espaço europeu de liberdade, segurança e justiça, só uma defesa firme, determinada e credível dos valores e dos princípios ocidentais será capaz de derrotá-lo.

Por isso, é fundamental pôr em prática as medidas já adotadas, tanto ao nível nacional como europeu, e otimizar a utilização dos instrumentos de cooperação político-militar existentes entre os Estados membros da UE e da Aliança Atlântica.

Como já identificado por outros, será necessário atuar na contenção do Daesh a três níveis diferentes: o securitário, o militar e o político. Ao nível securitário, impõe-se um esforço redobrado das autoridades nacionais para neutralizar as redes e células terroristas na Europa, eliminando os principais os centros de recrutamento e de radicalização jihadista, nomeadamente aqueles localizados em certas mesquitas ou associações religiosas, devidamente referenciadas pelos Serviços de Informações. Os dirigentes islâmicos que, em solo europeu, promovem um discurso de ódio e de apelo ao martírio, arregimentando futuros terroristas, deverão ser punidos. O discurso incitador à violência não pode ser tolerado, como não o é o apelo à xenofobia, ao racismo ou ao antissemitismo. 

Quanto ao nível militar, é essencial que a comunidade internacional consiga reverter a tentativa de internacionalização da guerra na Síria, aumentando a pressão sobre o Daesh e os territórios que pretende ocupar e controlar, tanto na Síria como no Iraque, mesmo que para isso seja necessário ir para além dos bombardeamentos levados a cabo pela coligação de Estados, envolvida no teatro de operações. 

Por último, os líderes políticos devem preservar a superioridade moral definidora das democracias ocidentais consolidadas, sem sucumbir às manobras táticas e estratégicas desta organização criminosa. Não sendo essa mesma superioridade incompatível com a necessidade de repensar toda a política de imigração da UE.

A ameaça terrorista chegou para ficar. Incumbe a todos os que defendem os valores democráticos ocidentais combatê-la. É, por isso, responsabilidade imperativa dos políticos fornecer todos os meios legais, humanos e técnicos, às Forças Armadas e às forças e serviços de Segurança dos seus países para travar o enorme desafio que constitui o terrorismo global.