Roberto Livianu, procurador brasileiro, em entrevista ao SOL

'Não sei qual o tempo ideal para acusação no caso Sócrates, mas não é razoável uma demora excessiva'

O procurador de São Paulo Roberto Livianu – autor de um livro sobre corrupção - aceitou conceder uma longa entrevista ao SOL em que fala do que, à luz da sua experiência, Portugal deveria fazer em casos como a Operação Marquês, aborda a corrupção no Brasil e elogia a cooperação com o Ministério Público português.

Diz que no Brasil o combate à corrupção é um “caminho sem volta” independentemente do governo e que a destituição de Dilma Rousseff não foi um golpe. “É preciso ter a clareza de que a corrupção é apenas controlável, jamais será extinta”, lembrou.

Apologista de um Ministério Público que comunica com a sociedade abertamente, como aconteceu no caso Lava Jato, o procurador diz que o MP português terá de repensar em breve a sua política de comunicação: “O caminho é por aí, cuidando, claro, de controlar as vaidades dos magistrados – um procurador não é artista de televisão nem de circo – e cuidando também da proteção da intimidade das pessoas.”

Outro dos pontos que não deixou de fora foi a Operação Marquês: “Não sei qual o tempo ideal, agora não é razoável que haja uma demora excessiva na acusação”.

“Às vezes se se esperar investigar tudo pode-se ficar vinte anos e vinte anos depois o sentido da punição já não é mais o mesmo”, avisa.

E sobre a divisão do caso que envolve o ex-primeiro-ministro em fases, como a Lava Jato? “Teorica e hipoteticamente talvez fosse um dos casos que deveria ser dividido em várias etapas e dar uma satisfação à opinião pública, iniciando a promoção de parte das responsabilidades e prosseguindo as investigações em relação a outras matérias”, refere.

Leia a entrevista na íntegra na edição de amanhã do SOL