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Já ouviu falar no Fitness on Water?

A ideia é agachar, saltar, fazer flexões, pranchas e abdominais. Mas o primeiro desafio é mesmo manter o corpo na vertical. O nome Fitness on Water não vem por acaso e a ideia é conseguir fazer em cima de uma prancha o treino que se faria em terra firme. “É dez vezes mais difícil”, garante a instrutora. E dá direito, pelo menos, a dez mergulhos, dizemos nós 


Comecemos por fazer o reconhecimento do local. Temos fato de banho vestido, o dia é de sol e à nossa frente há uma prancha e, neste caso, até água salgada. No entanto, e ao contrário do que seria pensamento imediato, não estamos prestes a começar uma aula de surf, nem bodyboard, padel ou kitesurf. Na verdade, aqui a prancha só vem atrapalhar, o que na linguagem fitness significa tornar o exercício mais desafiante. Afinal, passar 40 minutos a agachar e saltar (ou a tentar, vá) em cima de um pedaço de esferovite a baloiçar não parece o cenário mais agradável para uma tarde que se quer de calor e mergulhos.

Analisado o terreno, passemos ao contexto. Sábado à tarde nas piscinas oceânicas de Oeiras. Há quem não resista à batida que sai das colunas e faça o esquema do kuduro à beira da água, há quem prefira saltar das pranchas de forma tão artística que tem direito a ovação e há ainda aqueles que discretamente sacam de mais uma sandes mista, mesmo que os avisos à entrada digam que comida, só a do bar. É bom ver que estão todos entretidos e com a atenção bem longe das dez pranchas que começam a ocupar parte de uma das piscinas.

Filipa Mendes, a única instrutora de Fitness on Water em Portugal, já está devidamente equipada, ainda que em terra firme. Tudo o resto, despe o fato de treino e veste o fato de banho, até porque as quedas para a água, avisa quem sabe, são inevitáveis. 

Este novo conceito de exercício alia o treino funcional – aquele feito com o peso do corpo – à instabilidade de ser feito em cima de uma plataforma flutuante. A modalidade nasceu em Londres, mas Filipa não resistiu a trazer a ideia para Portugal, que começou agora a ser apresentada em piscinas da zona de Lisboa, até que integre os planos de aulas de ginásios um pouco por todo o país. Mas vamos deixar a conversa para depois, que a equipa já está na água.

Subir para a prancha já podia fazer parte do exercício, tal é a primeira dificuldade em equilibrar o retângulo de modo a lá deitar o corpo. “Agora vamos pôr de pé”, avisa Filipa. Pensar em elevar um corpo acabado de deitar com grande esforço já parece, só por si, uma atividade hercúlea. Primeiro uma perna, depois a outra e estamos de joelhos. A sensação de vitória termina no segundo seguinte, com a ondulação provocada pela queda da colega do lado. Acabamos as duas na água, obrigando ao esforço número dois voltar para a prancha.

À segunda tentativa, tudo parece mais fácil. Já de pé, com os braços abertos a ajudar ao equilíbrio, a sensação é de domínio. Mas, mais uma vez, é a voz de Filipa que dá a ordem que leva toda esta conquista por água abaixo, literalmente. “Agora que já estamos de pé, vamos agachar”. Esperamos que o olhar de quem sabe se vire para os outros atletas para simular a primeira tentativa. “Fazer um agachamento em cima da prancha requer muito mais do que pernas e glúteos”, explica Filipa. No nosso caso, até o cérebro parece cansado do esforço feito para manter o equilíbrio.

Estamos a exagerar, sejamos sinceros. Não que estejamos perto do à-vontade de um Garrett McNamara em cima da prancha, mas já conseguimos reduzir as quedas para a água aos movimentos mais complexos. Com algum esforço, somos capazes de manter a prancha durante alguns segundos, repetir uma série de flexões e até fazer abdominais sem o apoio dos pés no chão.

A aula é de 40 minutos mas esta, por ser experimental, fica-se pela metade. “Vamos alongar”, indica a instrutora. Mesmo que a música passe de algo semelhante a uma pista de discoteca algarvia para um chill out à beira-mar, o tempo aqui não é de relax. Passar o peso do corpo para a perna da frente, alongar o tricep ou tirar a pressão da lombar em cima de uma superfície instável invoca um conjunto de músculos que não estamos habituados a usar.
“E pronto, É isto o Fitness on Water”, resume Filipa, com o ar orgulhoso de quem se afirma como a pioneira da modalidade em Portugal. Posto isto, está na hora de ir para terra firme. Olhamos em volta e o problema continua a ser o mesmo: a prancha continua rodeada de água. Bom, pelo menos desta vez há tempo para tapar o nariz e o mergulho é dado com vontade.

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