Tecnologia

Apple. O que é feito da maçã de Steve Jobs depois da morte do “génio”?

Cinco anos depois da morte do fundador, muitos acreditam que o sucesso da empresa continua garantido. Mas nem todos. Há quem ache que a Apple “perdeu o rumo”

Há precisamente cinco anos, o mundo dizia adeus a Steve Jobs, fundador da Apple, que morreu aos 56 anos vítima de cancro do pâncreas. Um dia que deixou o mundo da tecnologia de luto. Para muitos, tinha morrido o CEO do século.

Conhecido como sendo um génio, Jobs marcou, segundo os amigos mais próximos, toda a história da Apple com a sua obsessão pela qualidade e pelos detalhes. Mas o que aconteceu à marca desde então? Com o novo modelo do iPhone a acabar de chegar ao mercado, muitos são os que questionam o caminho que a empresa tem vindo a fazer desde a morte de Steve Jobs e há quem continue a reconhecer a falta que faz.

Este é o caso de Ken Segall, amigo próximo de Jobs, que este verão fez saber que a Apple tem vindo a perder “o poder da simplicidade”. “Agora a Apple vende três iPhones diferentes, quatro iPads diferentes e três MacBooks diferentes. O Apple Watch tem infinitas combinações de tamanhos e braceletes. O universo da Apple está muito complexo”, começou por dizer, lançando uma verdadeira discussão sobre a estratégia que tem vindo a ser seguida pelo gigante tecnológico. 

Enquanto muitos se apressaram a defender que a decisão de introduzir mais dispositivos no mercado serve o objetivo de aumentar a faturação, Segall garante que “existem problemas que precisam de soluções, tal como os processos internos que permitiram que produtos complicados chegassem às mãos dos consumidores”.

Ken Segall, que trabalhou com Jobs como diretor criativo de publicidade durante 12 anos, escreveu, numa coluna do “Guardian”, que a ausência de Steve Jobs fez com que a Apple perdesse o “o rumo”. 

Tim Cook, CEO da empresa, foi escolhido por Jobs para o lugar. E muitos defendem que tem feito um bom trabalho. No entanto, uma coisa também fica clara para alguns, nomeadamente para Ken Segall: há uma coisa que nunca ninguém vai conseguir fazer. “Steve Jobs não pode ser substituído.” E a verdade é que nos últimos anos, ainda que os lucros sejam sólidos, a marca tem vindo a perder quota de mercado para o Android. 

Até porque enquanto as concorrentes invadem o mercado com smartphones de baixo custo, a Apple continua a apostar na qualidade em troca de um preço também muito mais alto. Segundo as estimativas dos analistas, em 2015, 80% dos consumidores não tinham capacidade económica para adquirir smartphones com preços tão elevados. Já este ano, Tim Cook chegou a admitir que os preços poderiam vir a ser revistos.

No entanto, e muito embora a concorrência tenha vindo a conquistar mais clientes, sob a liderança de Tim Cook, a Apple já conseguiu vendeu mil milhões de iPhones, graças a um estilo mais virado para os objetivos.

Uma luta de gigantes Em 2012, por exemplo, já se falava do crescimento das vendas das marcas concorrentes, nomeadamente da Samsung. Neste ano, segundo o Gartner Group, a Samsung fechava com 32% do mercado mundial de smartphones, contra os 20% da Apple. 

Tinha passado apenas um ano desde a morte de Steve Jobs e já havia mudanças significativas no mercado. Nos EUA, uma pesquisa divulgada, no início de 2013, pela empresa Buzz Marketing Group mostrava que o emblema da maçã já não era unânime entre os mais jovens. 

Também a Forbes, por esta altura, citava números do banco de investimento Piper Jaffray que mostravam que 67% dos adolescentes americanos queriam ter um iPhone. Um ano antes, a preferência pela Apple era de quase 100%.

A última invenção de Jobs A 324ª patente foi registada e acredita Jobs como criador, sendo este o seu último projeto. Mas quem pensa que Steve Jobs passou os últimos dias de vida a desenvolver um novo telemóvel ou tablet, desengane-se. O que o fundador da Apple estava a criar era uma novidade para barcos. 

De acordo com uma notícia do “El País”, publicada em agosto deste ano, a ideia era ter um aparelho, com ecrã tátil, a partir do qual fosse possível controlar e gerir o funcionamento da embarcação. Por esta altura, o génio da maçã estava há seis anos envolvido na construção de um barco que só ficou concluída depois da sua morte. 

 À edição francesa da “Vanity Fair”, Philippe Starck revelou que aceitou desenhar o barco depois de falar com Steve Jobs pouco mais de 15 segundos ao telefone. “Steve queria garantir que os jovens podiam estar na parte dianteira do barco enquanto ele estava na parte de trás. Estava obcecado pelo silêncio. Na sua casa, nem os miúdos faziam barulho, nem o cão, nem a mulher”, garantiu Starck, admitindo que lhe foi dada carta-branca para desenhar. Havia apenas três exigências: tinha de ser silencioso, o casco deveria ter 82 metros e deveria ter apenas seis quartos, todos idênticos. Segundo a Patently Apple, o pedido de registo foi feito com o nome de “controlo remoto usando um dispositivo móvel sem fios”.

O construtor do sucesso da Apple Steve Jobs nasceu a 24 de fevereiro de 1955. Filho de pai sírio e mãe americana, Jobs é considerado o maior responsável por todo o sucesso que a empresa conseguiu alcançar, uma empresa que ele próprio criou em conjunto com Steve Wozniak em 1976. Mas Jobs nem sempre esteve na Apple. Em 1985, depois de um conflito de interesses, abandonou a empresa e foi nesta altura que criou uma outra ligada à tecnologia computacional, a NeXT.

Passado um ano comprou a Pixar, que viria a ser - depois de comprada pela Disney por sete milhões de dólares - a maior empresa de produção de filmes 3D, com vários sucessos.

E foi após a venda da Pixar que Steve Jobs voltou à Apple. Foi também nesta altura que começou a era dourada da marca da maçã. É sob a sua liderança que a empresa consegue consolidar o sucesso nas vendas e também a sua popularidade. Steve Jobs acabou por deixar o cargo pouco tempo antes de morrer, a 24 de agosto de 2011.