Cultura

Super Bowl: a política vai tomar contar do mais disputado dos intervalos?

A NFL já negou ter proibido Lady Gaga, fervorosa crítica de Donald Trump, de fazer qualquer menção política durante o Halftime Show, que protagonizará

A Super Bowl é provavelmente a única emissão televisiva em que ninguém muda de canal ao intervalo. Bem pelo contrário: há quem mude para a emissão da Super Bowl, só para ver... o intervalo.

Será às 18h30 (às 23h de Portugal começa uma emissão especial na Sport TV) que arranca, em Houston, a partida que decidirá o campeão desta temporada da NFL – National Football League, e que desta vez será disputada pelos os Atlanta Falcons e os New England Patriots.

Com uma audiência esperada de cerca de 160 milhões de espetadores, as grandes marcas mundiais disputam os tais tão concorridos intervalos, onde um simples anúncio de 30 segundos pode custar cerca de 5 milhões de euros. Mais, as marcas produzem conteúdos publicitários específicos para a Super Bowl, sendo que alguns dos anúncios que serão exibidos já foram divulgados nos últimos dias e permitem adivinhar que o tom desta final será fortemente politizado.

O primeiro anúncio a ser conhecido – e provavelmente o caso mais flagrante do olhar político que tomará conta da Super Bowl – é a publicidade da Budweiser. "Born The Hard Way" conta a história do fundador da marca de cerveja, um imigrante alemão nos Estados Unidos da América, Adolphus Busch que, a determinada altura, ouve: "Não és bem-vindo aqui, volta para casa". A empresa diz que o anúncio começou a ser pensado há um ano, mas não nega a associação às recentes decisões tomadas por Donald Trump.

Já a Kia apresentará "Hero’s Journey", um anúncio protagonizado por Melissa McCarthy, que conta a história de uma mulher que procura salvar o planeta – mais uma crítica a Trump, que já anunciou o recuo nos acordos que os EUA tinham firmado internacionalmente neste campo.

Mais, o facto de a artista escolhida para protagonizar o chamado Halftime Show – uma tradição que remonta aos anos 1980 e que consiste num miniconcerto de cerca de 15 minutos - ser Lady Gaga, acérrima apoiante de Hillary Clinton nas presidenciais e participante em protestos contra Trump, reforça estas expectativas. De resto, a NFL já negou que tivesse proibido Lady Gaga de fazer qualquer menção política. Ou seja, Lady Gaga tem carta-branca.

O que a cantora tem também é seguramente o peso da responsabilidade. Apesar de, em 2015, Lady Gaga ter sido responsável por cantar o hino nacional no arranque da partida –, agora é responsável por todo o Halftime Show. E não terá tarefa fácil. Basta pensar que sucede a artistas como Michael Jackson (1993), Justin Timberlake e Janet Jackson (2004), The Rolling Stones (2006), Prince (2007), Bruce Springsteen (2009), Madonna com LMFAO, Cirque du Soleil, Nicki Minaj e M.I.A (2012), Beyoncé e Destiny's Child (2013), Bruno Mars com Red Hot Chili Peppers (2014), Katy Perry com Lenny Kravitz e Missy Eliott (2015), e Coldplay com Beyoncé e Bruno Mars (2016).