Sociedade

Lisboa tem mais dísticos que lugares

A EMEL gere 65 mil de um total de 200 lugares de estacionamento em Lisboa. No entanto, já foram distribuídos 67 500 dísticos de residente. Resultado? O caos instalado em algumas zonas da cidade

Quem acede ao site da EMEL depara-se imediatamente com uma frase que não antevê um cenário pacífico. «Todos os dias, mais de 600 mil automobilistas disputam 200 mil lugares de estacionamento na cidade de Lisboa», escreve a Empresa Municipal de Estacionamento. Falamos aqui de todo o tipo de estacionamento, até porque a EMEL gere apenas 65 mil desses espaços.

No entanto, apesar do estacionamento ser finito, o mesmo não acontece com os dísticos de residente. Assim, para os 65 mil lugares disponíveis, a EMEL já atribuiu 67.500 dísticos. Isto porque o regulamento municipal prevê a emissão de três dísticos por imóvel – serviço gratuito para o primeiro carro em que terá de pagar 12 euros pelo emolumento, o segundo já terá de pagar 30 euros e o terceiro 120 euros – acrescidos de dois dísticos adicionais caso se comprove a residência de dois ou mais agregados familiares diferentes na mesma morada. No entanto, segundo fonte da empresa, «a situação mais comum, mas com variações consoante as zonas da cidade, é de dois dísticos por fogo», revela ao SOL.

 

Zonas problemáticas

O facto de a empresa ter vindo a expandir a sua área de influência fez disparar o número de pedidos de dísticos. No entanto, na maioria das zonas geridas pela EMEL, o horário durante o qual apenas os moradores com dístico não pagam estacionamento cinge-se a um período entre as 9h e as 19h. A partir dessa hora, qualquer pessoa pode estacionar.

Em muitos casos, este horário é insuficiente para que os moradores consigam encontrar estacionamento quando chegam a casa. O SOL reuniu casos de residentes de bairros como Arroios ou Bairro Alto que se vêm obrigados a estacionar a quilómetros das suas zonas ou a infringir as regras, parando o carro em lugares indevidos. Nestas situações, para evitar multas, há quem admita pôr o despertador para conseguir tirar o carro antes que a polícia municipal ou a EMEL comecem a trabalhar e, em casos mais extremos, houve até quem dormisse no carro, para evitar  multas ou reboques.

 

Soluções

Zonas como o Bairro Alto, o Príncipe Real, a Baixa, o Cais do Sodré e, mais recentemente, o Bairro Azul fazem parte do eixo vermelho da EMEL, onde os lugares são pagos até à 01h.

Já na Lapa e na Madragoa, a EMEL prepara-se para avançar com um sistema que funciona ao contrário do habitual. Esta zona vai ser exclusiva a residentes das 19h às 9h, para que a rotação aconteça durante o dia e os moradores tenham sítio para estacionar quando chegam a casa.

Além dos horários especiais, a EMEL avançou com a criação de bolsas de residentes – zonas onde só os moradores podem estacionar, independentemente da hora –, que já funcionam nalguns locais da cidade, nomeadamente em Alvalade. Ainda para facilitar a vida aos moradores, a EMEL propõe que, com a construção de mais parques de estacionamento, os residentes troquem o primeiro dístico a que têm direito por uma avença de estacionamento.