Sociedade

Consumidores queixam-se de entraves nos pacotes de lazer

«Isto dos  vouchers  d’A Vida é Bela faz-nos parecer  marginalizados, como se fossemos uns pedintes à procura de esmola» – reclamava, em Fevereiro deste ano, António Almeida Oliveira, na rede social de consumidores Portal da Queixa. Em causa estava a dificuldade que este cliente teve em conseguir reserva num hotel para usufruir do voucher Refúgio Duas Noites.

este tipo de queixas tem vindo a ganhar expressão ao nível das várias empresas no mercado que vendem pacotes de experiências de lazer e turismo. à deco (associação de defesa do consumidor)  chegaram, em 2011, 147 reclamações – a maioria relativas a  dificuldades em efectuar a marcação da experiência por não existir vaga ou data disponível. e este ano  o número de queixas é já de 132, sendo que a maioria das reclamações diz respeito à empresa a vida é bela (32 em 2011 e 19 em 2012), seguindo-se a letsbonus (19 em 2011 e 20 este ano), a smartbox (18 em 2011 e seis este ano) e a odisseias (10 em 2011 e sete este ano).

ricardo marques, de 32 anos,  tentou em julho usufruir de um voucher a vida é bela, a empresa líder em portugal. em cinco tentativas, três dos hotéis contactados responderam-lhe não ser possível fazer qualquer reserva em agosto. numa das unidades hoteleiras disseram-lhe mesmo que não queriam trabalhar mais com a vida é bela, aludindo que a empresa estaria com pagamentos em atraso. «no hotel, falaram comigo como se estivessem perante um cadastrado», lamenta.

ao sol, a gerente do hotel em causa (que preferiu o anonimato) explicou que, apesar de ser um parceiro d’a vida é bela, durante algum tempo recusou os vouchers porque «houve um problema de liquidez», que se traduziu num atraso de pagamento de seis meses. neste momento, esclareceu, a empresa pagou o que devia e voltaram a admitir osvouchers. ainda assim, só aceitam dois por dia.

contactada pelo sol, a empresa assumiu a existência de problemas: «isto prende-se com a actual situação económica. a vida é bela está a adaptar-se ao decréscimo do mercado de consumo, ao dilatamento dos prazos de recebimento e às alterações da banca». mas, esclareceu que os pagamentos aos parceiros «estão a ser feitos de forma contínua» e que estas situações «são muito pontuais e estão a ser resolvidas».

liliana.garcia@sol.pt