Carlos Alexandre avisou: ‘Não te metas nisso’

Carlos Alexandre não reconhece nas notícias sobre Orlando Figueira o amigo de longa data

O superjuiz prestou depoimento como testemunha na instrução do caso Fizz: Orlando Figueira disse-lhe que Proença acompanhou ‘as negociações’. 

Quando, em agosto de 2016, Carlos Alexandre foi chamado a depor na Operação Fizz como testemunha de Orlando Figueira, explicou vários detalhes da vida do antigo procurador. Fazendo sempre a ressalva de que o que sabia era de conversas que tinha tido com o amigo, ou seja, que não que tinha presenciado nada, o magistrado do Tribunal Central de Instrução Criminal foi particularmente crítico. «Fui-lhe dizendo que tirasse a ideia disso: ‘Não te metas nisso’, ‘isso não tem jeito nenhum’», contou o juiz que tinha aconselhado ao amigo quando soube da intenção do ex-procurador de mudar de vida. 

Mas Orlando Figueira seguiu em frente, contou Carlos Alexandre na diligência: «Ele acabou por aceitar e terá comunicado isso à Sra. Diretora [do DCIAP], pelo menos disse-me que tinha comunicado à Sra. Diretora, e aceitou então, ao que sei, o convite que lhe foi formado por uma firma que trabalhava na órbita da Sonangol, e do Dr. Carlos Silva, com contactos no Banco Privado Atlântico, foi assim que ele me contou».

Descrevendo Orlando Figueira como alguém que muitos consideravam «ingénuo», Carlos Alexandre chegou mesmo a dizer que o homem que aparece descrito nos jornais não corresponde ao que é seu amigo há mais de 20 anos.
O juiz afirmou ainda que, mais recentemente, entre 2012 e 2015, o antigo procurador lhe tinha dito que tinha sido nomeado Proença de Carvalho para resolver o contrato que ele mantinha com a sociedade Primagest. «Essas pessoas, segundo ele diz, nomearam um distinto advogado da nossa praça jurídica da capital, para acompanhar as negociações de deslindamento dessa ligação profissional, tanto quanto ele me disse na pessoa do Sotor Dr. Daniel Proença de Carvalho, do escritório Uría Menéndez», referiu o juiz perante a juíza Maria Antónia Andrade, a procuradora do DCIAP Patrícia Barão e o advogado Paulo Sá e Cunha.

«Ele dizer-me que o Dr. Daniel Proença de Carvalho teria interagido com ele no sentido de clarificar a relação de trabalho lá atrás, eu para mim parecia-me absolutamente normal porque o Dr. Daniel Proença de Carvalho acompanha muitos assuntos relacionados com Angola», concluiu Carlos Alexandre.

A versão a dar conta da ligação de Proença com Orlando Figueira vai ao encontro de algumas das  alegações do advogado do Estado angolano na sua contestação, mas contrasta com a de Proença de Carvalho, que há dias afirmou não ser verdadeira nenhuma das acusações que lhe foram feitas por Paulo Blanco.