Sociedade

E-toupeira. Técnico informático nega ligação ao Benfica

Advogado de Nogueira da Silva desvalorizou a suspeita de violação de segredo de justiça. Após interrogatório, arguidos remeteram-se ao silêncio

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Os arguidos da Operação e-toupeira remeteram-se ontem ao silêncio durante o interrogatório. No Campus de Justiça, apenas o advogado de José Nogueira da Silva, funcionário judicial suspeito de fornecer informações confidenciais de processos que envolvem o Benfica e os seus rivais, prestou declarações aos jornalistas, revelando que o seu cliente não admitiu qualquer ligação ao clube da Luz.

“José Silva não admitiu qualquer ligação ao Benfica, não admitiu nada de relevante. Tem ligações ao Benfica como adepto, como eu”, afirmou Paulo Gomes, que garantiu ter sido contratado pela família do técnico informático do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ) suspeito de ter passado informações ao assessor jurídico do Benfica, Paulo Gonçalves.

Paulo Gomes confirmou que o técnico informático é suspeito dos crimes de “ corrupção, crime informático de acesso ilegal, crime de favorecimento ilegal e violação do segredo de justiça”. Este último crime foi desvalorizado pela defesa de Nogueira da Silva: “Não deixa de nos surpreender que haja um alarido tão grande à volta de uma violação de um segredo de justiça de um processo que está na comunicação social todos os dias”.

Para aceder às informações sobre estes processos, nomeadamente sobre o caso dos e-mails, no qual Paulo Gonçalves já era arguido, era necessário entrar na plataforma Habilus. Este acesso é restrito e contém informações confidenciais sobre casos que ainda estão em segredo de justiça.

Por forma a conseguir esse acesso, José Nogueira da Silva teria de ter os dados de alguém que tivesse privilégios para aceder a tal registo. Segundo a revista “Sábado”, as credenciais usadas para entrar na plataforma eram as da procuradora Ana Paula Vitorino, atual assessora da Procuradora Distrital de Lisboa, Maria José Morgado.

A mesma publicação avançou ontem que José Nogueira da Silva terá pedido emprego para o sobrinho em troca das informações confidenciais. Ter-lhe-á sido prometido um posto de trabalho no museu Cosme Damião. Em comunicado, o Benfica disse que a notícia era “falsa” e “invoca o nome de alguém que não pertence, nem nunca pertenceu, aos quadros profissionais de qualquer estrutura do Sport Lisboa e Benfica e Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD”.

Para além de Nogueira da Silva e Paulo Gonçalves, que é suspeito de ser o criador deste esquema de passagem de informações, também dois oficiais de justiça – Júlio Loureiro e outro cuja identidade ainda não foi revelada – e o empresário de futebol Óscar Cruz foram constituídos arguidos. À hora de fecho da edição, ainda não eram conhecidas as medidas de coação. O “Correio da Manhã” avançou apenas que o Ministério Público pediu a proibição da entrada de Paulo Gonçalves no estádio da Luz.

“O que sei é pelos jornais”

O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, afirmou ontem, à saída da reunião de presidentes promovida pela Liga, em Coimbra, que o conhecimento que tem sobre esta operação resume-se ao que lê na imprensa. “O que sei é pelos jornais”, afirmou o dirigente benfiquista, decidindo não fazer mais comentários sobre o caso.

O “Correio da Manhã” noticiou que Vieira tinha conhecimento das ofertas feitas por Paulo Gonçalves às suas fontes junto do sistema judicial. Isto porque, de acordo com o jornal, os e-mails que continham os convites destinados a Júlio Loureiro seriam também enviados para o presidente do Benfica.