Economia

Dos protótipos até ao mercado a cada vez mais alta velocidade

Evolução da tecnologia de impressão 3D tem levado a um verdadeiro “boom” no interesse dos fabricantes automóveis

Até aqui, a impressão 3D costumava ser apenas uma ferramenta usada para fazer protótipos Mas isso está a mudar. Agora a técnica também está a ser usada no fabrico de automóveis para o mercado. Este é o resultado de uma tendência global para a manufatura aditiva, que é agora reconhecida como uma das principais tecnologias de fabrico, e não apenas uma forma de produzir uma boa prova de conceito ou um protótipo.

Os fabricantes começam a sonhar com um carro impresso completamente em 3D, algo possível pela contínua melhoria das tecnologias e materiais de impressão 3D.

Tecnicamente, o processo de manufatura aditiva permite menos tempo de investigação e desenvolvimento, e poderá oferecer aos consumidores produtos feitos à medida. A evolução tem levado a um verdadeiro “boom” no interesse das fabricantes automóveis em relação a esta tecnologia.

Em primeiro lugar porque permite o desenvolvimento de protótipos mais depressa, uma vez que esta tecnologia já é usada em muitas áreas como uma forma de prototipar rapidamente. A construção de protótipos de forma rápida é chave para qualquer empresa que queira acelerar o seu processo de desenvolvimento de produto. Usar a impressão 3D poderá ser uma forma ótima de o conseguir, uma vez que com esta tecnologia se constroem peças de forma rápida e a um custo razoável quando comparado com outras técnicas de prototipagem.

Depois, porque reduz o peso dos carros, algo que os construtores automóveis tentam fazer de forma constante. Um carro mais leve consome menos combustível, o que o torna mais amigo do ambiente. Para o fazer poder-se-á otimizar o design das peças, como por exemplo o fez a Volkswagen (VW). A construtora germânica já conseguiu imprimir em 3D o apoio do vidro do pilar, reforçando-o e tornando-o 74% mais leve.

Leveza Com esta tecnologia poder-se-ão criar estruturas mais leves graças a padrões de design novos ou reduzir o número de peças que um carro precisa devido a um melhor desenho dos componentes.

Na impressão 3D a construção é feita camada a camada. O resultado é que só se utiliza a quantidade de material necessário à construção de determinada peça do carro. O desperdício de material é menor, assim como o custo financeiro para a empresa. Custo este que poderá baixar ainda mais se a produção for feita com metal. Segundo os analistas, o fim do desperdício de restos que já não podem ser utilizados poderá ser de facto o “game changer” da indústria.

Uma outra possibilidade oferecida pela impressão 3D é a customização dos carros, ou seja, tornar cada carro único. Com a impressão 3D, criar uma peça única deixou de ser alguma coisa de especial, ao contrário do que acontecia antes, situação em que cada pedido particular ficava muito caro para os construtores – e para o cliente.

A fácil substituição das peças é outra vantagem trazida pela impressão 3D na indústria automóvel. Substituir uma peça avariada pode ser um desafio, em especial se a peça for velha e mais ainda se já não for fabricada. Combinando o “scanning” 3D com a manufatura em adição é possível reproduzir peças raras e até otimizá-las antes de serem impressas.

A era de produção em massa de carros impressos em 3D já esteve bem mais distante, mas ainda não começou. Os projetos mais avançados são de impressão 3D de peças de automóvel ou de protótipos (ver exemplos ao lado).

Mas a investigação nesta área está já muito avançada e uma vez que há muito interesse no valor que a manufatura aditiva poderá trazer à indústria automóvel. Uma das principais dificuldades é ainda o custo da impressão 3D. De facto, a manufatura aditiva nem sempre é a técnica de produção mais barata para uma vasta série de peças grandes.

A questão é especialmente problemática para peças de metal impressas em 3D, largamente utilizadas no campo automóvel. Mas o custo decrescente da impressão 3D para todas as tecnologias está a mudar a dinâmica atual.

A consequência é que poderá ainda demorar para que esta tecnologia se torne a forma normal de produção automóvel e ver o primeiro carro impresso em 3D a ser vendido. Mas no fabrico de peças suplentes, a impressão 3D já é um grande aliado, abrindo perspetivas alargadas, seja em termos de otimização do design, do peso, da sustentabilidade e da criatividade.