Sociedade

João Araújo. ‘Não sou despedível’

Um dos advogados que até há muito pouco tempo representava José Sócrates considera ‘ridículas’ as notícias que dão conta do seu despedimento, afirmando que só pode ser despedido quem ‘está ao serviço’, o que, segundo diz, não era o seu caso enquanto advogado. Araújo explicou ainda ao SOL que se desligou da Operação Marquês por divergências quanto à estratégia a seguir.

João Araújo, o advogado que até fevereiro defendia José Sócrates na Operação Marquês, garante que não foi despedido pelo ex-primeiro-ministro e explica pela primeira vez quais as razões que levaram ao seu afastamento. Segundo Araújo, tudo terá tido origem em divergências quanto à estratégia a seguir nesta nova fase.

Em declarações ao SOL, o advogado considerou mesmo «ridículas» as notícias que deram conta de um despedimento e frisou não ser «despedível»: «Só se despede as pessoas que estão ao serviço, o que não era o meu caso, não sou despedível».

Desde o início que a defesa do ex-governante estava a cargo de João Araújo e Pedro Delille, sendo que este último deverá manter o seu patrocínio.

Recusando dizer se a defesa passará apenas pelo colega que durante estes anos o acompanhou, Araújo explica que quando saiu ainda não estava definida a estratégia a seguir: «Nem sei sequer se existe estratégia».

O que sabe é que o caminho que defendia era diferente daquele que José Sócrates achava ser o mais correto, tendo decidido não fazer cedências. «Se entendo que um caminho é o devido, qualquer outro é indevido», rematou, dizendo que nada disso o faz mudar de posição quanto ao que sempre disse em relação a este processo e ao cliente.

Data limite para abertura de instrução

Questionado sobre se será plausível que ainda não haja uma estratégia definida nesta altura, João Araújo disse desconhecer, adiantando que isso, a acontecer nesta fase, seria «assustador».

A revista Sábado noticiou este mês que, após muitas discussões acaloradas em privado, José Sócrates tinha decidido afastar João Araújo em fevereiro, referindo que isso tinha deixado o advogado de rastos.

É esta versão que o advogado nega, atribuindo o seu desligamento do processo apenas a discordâncias de rumo. 
 Estas declarações de João Araújo ao SOL surgem poucos dias depois de o juiz de instrução criminal Carlos Alexandre ter definido o prazo máximo para abertura de instrução e de ter decidido não considerar nulas as gravações das interceções telefónicas que os advogados dizem ter vírus.

As defesas de José Sócrates e de Ricardo Salgado tinham pedido que as escutas de conversas relativas ao ex-primeiro-ministro e ao banqueiro fossem consideradas nulas devido à presença de um vírus informático, mas tal como o SOL já havia noticiado na última edição, o juiz Carlos Alexandre decidiu manter as escutas como válidas.

«Mostra-se garantido o acesso pelos arguidos a todas as sessões de interceção produzidas ou recolhidas nos presentes autos em paridade de armas com a acusação», refere o juiz no despacho, decidindo: «Indefere-se a requerida nulidade das interceções telefónicas aqui utilizadas como prova».

Os problemas em torno dos vírus detetados pelas defesas contribuiu para que o caso Marquês marcasse passo nos últimos meses. Carlos Alexandre já definiu, porém, uma data limite para o início da fase de instrução – fase optativa em que se decide se existem indícios suficientes para levar os arguidos a julgamento: «Tudo ponderado, entende o juiz de instrução criminal signatário fixar em setenta dias o prazo de prorrogação para requerer a abertura de instrução, contados a partir de 9 de maio, isto é, fixando-se como prazo limite, para tal efeito, o dia 3 de setembro de 2018».